OPINIÃO

A fome está em toda a parte

Da Redação / Publicado em 9 de setembro de 2022

Capa: Reprodução

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Fome, desemprego, estagnação econômica, aniquilação das políticas públicas. A vida dos brasileiros piorou muito nos últimos anos, e a culpa não é integralmente da pandemia. O país entrou no segundo semestre com uma taxa de desemprego oscilando em 10%, quase 10 milhões de desempregados, 4,3 milhões de desalentados – aqueles que desistiram de procurar trabalho – e quase 40 milhões de pessoas na informalidade.

É uma combinação explosiva de indicadores negativos, os quais, associados com desmandos na condução do país e descontrole dos preços dos alimentos, empurram milhares de pessoas para a fome, a vida nas ruas, uma nova Idade Média visível em centros como São Paulo e Porto Alegre, mas também presente no cotidiano de pequenos municípios Brasil afora.

A fome, a luta diária por sobrevivência e a multiplicação de pessoas em situação de rua são o tema central desta edição, que também aborda o modelo agrícola perverso adotado pelo país há décadas e que combina a redução do plantio de alimentos com a multiplicação das lavouras de soja e outras monoculturas para exportação.

Na entrevista do mês, o jornalista Alexandre Haubrich analisa os últimos seis anos de reformas e retrocessos de direitos da classe trabalhadora, tema do livro Direitos Golpeados – Os ataques aos trabalhadores brasileiros de 2016 a 2022, que ele está lançando pela editora Insular.

As grandes empresas de comunicação atuaram na cobertura e como interessados diretos nas reformas trabalhista e da Previdência, constata o autor ao abordar os sucessivos ataques à legislação trabalhista. “O capital e seus diferentes braços foram os artífices das reformas”, aponta.

Ainda sobre o mundo do trabalho, o historiador Frederico Bartz, da Ufrgs, aborda os locais de organização e mobilização da classe trabalhadora na capital gaúcha e a memória dos movimentos que estão mapeados no projeto Caminhos Operários em Porto Alegre.

O trabalho enfoca um longo período histórico, que se inicia com a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República, passando pela Revolução de 1930 e se encerrando no Estado Novo.

“Esse período coincide com o avanço das relações capitalistas e das suas contradições, marcando, também, o surgimento do movimento operário e o desenvolvimento de uma solidariedade de classe ativa entre os trabalhadores e as trabalhadoras”, destaca o autor, que abordou, ainda, a luta de classes e os movimentos antifascistas organizados por trabalhadores na capital gaúcha de 1920 a 1940.

Confira ainda nesta edição: Luis Fernando Verissimo, Marcos Rolim, Marco Weissheimer, Fraga, Edgar Vasques e Rafael Corrêa.

Boa leitura!

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