SAÚDE

País registra mais 217 mortes por coronavírus nas últimas 24 horas

Sem apresentar estratégias de enfrentamento da crise, novo ministro da Saúde discorreu sobre intenções. Bolsonaro voltou a atacar isolamento
Por Gilson Camargo / Publicado em 17 de abril de 2020
Proximidade: o oncologista carioca Nelson Teich foi empossado por Bolsonaro no ministério da Saúde após demissão de Mandetta

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Proximidade: o oncologista carioca Nelson Teich foi empossado por Bolsonaro no ministério da Saúde após demissão de Mandetta

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Brasil bateu novo recorde de mortes em um dia, com 217, e chegou a 2.141 óbitos em razão de infeção pelo novo coronavírus (covid-19), totalizando 625 em 72 horas, os maiores números registrados desde o início da pandemia. Já os casos confirmados nas últimas 24 horas também foram recorde, com 3.257, totalizando 33.682 pessoas infectadas em todos os estados e no Distrito Federal. A atualização foi divulgada na tarde desta quinta-feira, 17 pelo Ministério da Saúde na plataforma oficial do governo que totaliza as estatísticas sobre a pandemia.

O oncologista carioca Nelson Teich foi empossado como novo ministro da Saúde em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Jair Bolsonaro. Sem apresentar estratégias concretas de enfrentamento à crise, o novo ministro se restringiu a comentar de forma genérica suas intenções à frente do ministério. Teich afirmou que terá “foco na pessoas” e que fará um trabalho de parceria com estados e municípios para conter o coronavírus.

Infográfico: Ministério da Saúde

Infográfico: Ministério da Saúde

Ele substitui Luiz Henrique Mandetta (DEM) demitido na quinta-feira, 16, após, por defender as medidas de isolamento social recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para frear o contágio e evitar o colapso no sistema de saúde, estratégia negada por Bolsonaro. Ao assumir a pasta, Teich disse que irá acompanhar diariamente a evolução da pandemia em cada estado e município “para que a gente consiga ter uma agilidade na solução de problemas que vão surgir. Você tem que analisar todo dia o que está acontecendo, fazer planejamento e executar”.

O presidente voltou a atacar as medidas de isolamento. Admitiu que corre “risco” ao defender a reabertura do comércio, mas acredita que essa “é a medida correta para lidar com o combate ao coronavírus e o desemprego”. “Essa briga de começar a abrir para o comércio, é um risco que eu corro, porque se agravar vem para o meu colo. Agora, o que acredito, o que muita gente já está tendo consciência, tem que abrir”, insistiu.

Aumento de 11% nas mortes entre a demissão de Mandetta e a posse de Teich

O número de mortes divulgado pelo ministério marcou um aumento de 11% em relação à quinta-feira, 16, quando foram registradas 1.924 vítimas da covid-19. Já os casos confirmados representaram um crescimento de 10% sobre a última atualização, quando haviam sido contabilizadas 30.425 pessoas infectadas.

O estado de São Paulo concentra o maior número de óbitos (928), quase três vezes o registrado pelo Rio de Janeiro (341). Os demais estados com maior número de notificações são Pernambuco (186), Ceará (149) e Amazonas (145). Também foram notificadas mortes no Paraná (42), Maranhão (40), Minas Gerais (35), Bahia (36), Santa Catarina (29), Pará (26), Paraíba (26), Rio Grande do Norte (23), Rio Grande do Sul (24), Espírito Santo (25), Distrito Federal (20), Goiás (16), Amapá (10), Piauí (oito), Alagoas (sete), Sergipe (quatro), Mato Grosso do Sul (cinco), Mato Grosso (cinco), Acre (cinco), Roraima (três), Rondônia (três) e Tocantins (uma). As estatísticas do ministério referem-se ao total de casos notificados pelas secretarias de Saúde dos estados no início da tarde. A taxa de letalidade do país ficou em 6,4%, um décimo acima do índice registrado ontem, de 6.3%.

São Paulo registra a pior semana da pandemia

Em coletiva, o governador João Dória (PSDB) e secretários anunciaram a extensão da quarentena até 10 de maio

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Em coletiva, o governador João Dória (PSDB) e secretários anunciaram a extensão da quarentena até 10 de maio

Foto: Governo do Estado de São Paulo

O estado de São Paulo registrou o maior número de mortes pelo coronavírus nesta semana desde o início da pandemia. São 928 óbitos, com 320 novas mortes desde segunda-feira, 13, uma a cada meia hora, em média. Desde quinta-feira foram 75 vítimas fatais. Também há 5,7 mil pessoas internadas em hospitais (confirmados e suspeitos), sendo 3.465 em leitos de enfermaria e 2.275 em leitos de UTI. A sexta-feira tem 2 mil internações a mais em comparação a quinze dias atrás, um aumento de 51%. Em 3 de abril, eram 3,8 mil internados, sendo 1,5 mil em UTI e 2.343 em enfermaria. O número de casos confirmados da doença chega a 12.841, ou seja, 3,8 mil a mais desde segunda-feira, quando eram 8.895 confirmados. Já são 215 cidades com pelo menos um caso e 88 municípios com no mínimo um óbito. Entre as vítimas fatais, estão 550 homens e 378 mulheres. Pacientes com 60 anos ou mais correspondem 79,6% das mortes.

Em coletiva nesta sexta-feira, o governador João Doria (PSDB) anunciou a extensão da quarentena em todos os 645 municípios do estado até 10 de maio. A medida mantém o fechamento de comércio e serviços não essenciais para reforçar o isolamento social e reduzir a circulação de pessoas ante o crescimento de casos e de mortes pela Covid-19.

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