SAÚDE

Rio Grande do Sul tem 22 mil casos e 500 mortes por Covid-19

Foram mais de 1,1 mil contágios e 23 óbitos em um dia. Pesquisadores apontam que a pandemia está fora de controle no país
Por Gilson Camargo / Publicado em 24 de junho de 2020
A Santa Casa, de São Gabriel, é um dos 38 hospitais que receberam respiradores para ambulâncias e UTI para pacientes graves

Foto: SES/RS/ Divulgação

A Santa Casa, de São Gabriel, é um dos 38 hospitais que receberam respiradores para ambulâncias e UTI para pacientes graves

Foto: SES/RS/ Divulgação

A secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul registrou 1.162 novos contágios pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, aumentando o total de casos para 22.009 nesta quarta-feira, 24. No período, ocorreram 23 óbitos pela doença, elevando para 500 o total de mortes. A taxa de letalidade no estado é de 4,4%. De acordo com o Ministério da Saúde, em um dia o país registrou 1.185 novos óbitos por Covid-19 e elevou o total de mortes para 53.830. Análises do Imperial College de Londres, que monitora a pandemia em nível mundial, alertam que a taxa de contágio voltou a subir no Brasil após três semanas de quedas, o que representa um aumento na circulação do vírus e descontrole da pandemia em boa parte do território nacional. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) informou que um grupo de pesquisadores começou a testar na última terça-feira, 23, uma vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford.

O alerta dos pesquisadores britânicos é de que a pandemia está fora de controle no país, com maior contágio nas regiões que ampliaram a abertura das atividades econômicas nas últimas semanas. No Rio Grande do Sul, a pandemia atinge a população de 77% do território do estado, com notificações em 383 dos 497 municípios, dos quais apenas três apresentam baixo risco de contágio. Do total de infectados, 2.815 (13%) permanecem hospitalizados. O histórico da pandemia no RS tem 17.580 (80%) pacientes que testaram positivo e já estão recuperados e 3.929 (18%) em acompanhamento. Porto Alegre, Capão da Canoa, Novo Hamburgo e Canoas permanecem com risco alto de contaminação (bandeira vermelha), com protocolos mais restritivos às atividades econômicas. A capital tem 2.123 casos notificados e 69 mortes.

Depois de analisar 30 recursos apresentados por municípios e associações, o Gabinete de Crise do governo do estado decidiu reverter uma das cinco bandeiras vermelhas anunciadas preliminarmente no último sábado, na sétima rodada do Distanciamento Controlado. Somente a região de Palmeira das Missões, devido ao comportamento da Covid-19 nos últimos dias, pode retornar à classificação laranja (risco médio) a partir de terça. As demais regiões, classificadas na maioria em laranja – 13, no total –, e apenas três em amarelo (risco baixo), permanecem com os níveis divulgados preliminarmente.

A sétima semana de Distanciamento Controlado tem vigência até às 23h59 de segunda-feira, 29. Com mais de 70% dos leitos de UTI ocupados, o estado recebeu nesta quarta-feira cem respiradores enviados pelo Ministério da Saúde. De acordo com a Secretaria da Saúde (SES/RS), 17 hospitais gaúchos já receberam os equipamentos, destinados a transporte e leitos de UTI para pacientes com casos graves de Covid-19. Ao todo, 38 instituições devem ser contempladas.

FORA DE CONTOLE – A nova análise apesentada nesta quarta pelos pesquisadores do Imperial College aponta que, no Brasil, cada grupo de cem pessoas infectadas com o vírus transmite a doença para outras 106.

Isso representa que a taxa de contágio brasileira está em 1,06 – cada portador do vírus infecta uma pessoa a mais desde a semana passada. Na semana epidemiológica de 20 de junho, o país registrou 7.256 mortes, superando a projeção de 7.090 feita pelos pesquisadores com base na taxa de contágio de 1,06 do período.

As taxas acima de 1 indicam que a transmissão ainda está fora de controle, o que mantém o Brasil há nove semanas entre os países que não conseguem deter o contágio. Depois de registrar recuos por um período de 21 dias, o país atingiu uma taxa de contágio de 2,8 em abril.

Voluntários do Reino Unido (foto), do Brasil e da África do Sul começaram a receber doses de novo antiviral

Foto: Universidade de Oxford/ Divulgação

Voluntários do Reino Unido (foto), do Brasil e da África do Sul começaram a receber doses de novo antiviral

Foto: Universidade de Oxford/ Divulgação

VACINA – Devido à velocidade de expansão do vírus, que voltou a crescer, e por ser o segundo país em número de casos, depois dos EUA, o Brasil foi eleito para a realização de estudos clínicos da vacina contra a Covid-19 desenvolvida no Reino Unido.

A Unifesp iniciou testes com um antiviral desenvolvido pela Universidade de Oxford em conjunto com o grupo farmacêutico britânico AstraZeneca. A vacina é considerada uma das experiências mais promissoras entre os cerca de 120 programas em desenvolvimento em 13 países.

Após testes clínicos, a vacina ChAdOx1 nCoV-19 deverá ser distribuída no Reino Unido e no exterior a partir do início de 2021

Foto: Universidade de Oxford/ Divulgação

Após testes clínicos, a vacina ChAdOx1 nCoV-19 deverá ser distribuída no Reino Unido e no exterior a partir do início de 2021

Foto: Universidade de Oxford/ Divulgação

Denominada ChAdOx1 nCoV-19, é testada em voluntários na Grã-Bretanha e na África do Sul e deverá ser distribuída no Reino Unido e no exterior a partir do início de 2021.

De acordo com a Unifesp, que coordena o estudo no Brasil, seus pesquisadores começaram a aplicar as primeiras doses na terça-feira, 23, em profissionais da saúde expostos ao novo coronavírus, entre eles médicos, enfermeiros e motoristas de ambulâncias.

Em nota, a instituição informa que começou a recrutar voluntários no último sábado. De acordo com os protocolos do estudo, os voluntários devem testar negativo para o Sars-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19. “A partir desta terça-feira, 23, voluntários que tenham sorologia negativa já puderam receber a aplicação da vacina. Estão sendo recrutados profissionais de saúde de 18 a 55 anos que atuam prioritariamente dentro do Hospital São Paulo-Unifesp, na linha de frente do combate à Covid-19”.

Os testes serão feitos inicialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. O ensaio clínico da Universidade de Oxford tem mais de 4 mil voluntários inscritos na Grã-Bretanha e a instituição pretende recrutar outros 10 mil.

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