SAÚDE

Estado registra morte de criança por doença associada ao coronavírus

Síndrome inflamatória diagnosticada em crianças e adolescentes que tiveram covid-19 tem 25 casos no RS e 511 no país, com 35 óbitos. Ministério da Saúde deixou de atualizar dados em outubro
Por Gilson Camargo / Publicado em 21 de janeiro de 2021
Hospital Nise da Silveira, em Maceió, é referência no tratamento da síndrome infecciosa pediátria associada à covid-19

Foto: SES Alagoas/ Divulgação

Hospital Nise da Silveira, em Maceió, é referência no tratamento da síndrome infecciosa pediátria associada à covid-19

Foto: SES Alagoas/ Divulgação

A Secretaria da Saúde (SES) divulgou na tarde desta quinta-feira, 21, no boletim epidemiológico da Covid-19 desta semana o primeiro óbito ocorrido no estado por Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). A vítima é um menino de sete anos residente em Alto Feliz, na Serra. A doença está associada ao coronavírus, com manifestações tardias após a infecção, independente de sintomas respiratórios de covid-19.

Desde agosto, quando se iniciou a investigação dessa síndrome no país, foram confirmados 25 casos no RS, dos quais 24 já tiveram alta hospitalar. As idades variam de zero a 15 anos.

A doença é caracterizada por febre persistente acompanhada de sintomas que podem incluir dor abdominal, conjuntivite, manchas vermelhas na pele e erupções cutâneas, entre outros. Os sintomas respiratórios não estão presentes em todos os casos.

O caso do menino de Alto Feliz começou com uma internação em 1º de janeiro, com quadro clínico inicialmente suspeito de apendicite, mas os exames iniciais descartaram essa e outras possíveis causas, tendo a comprovação para a SIM-P após exames de sangue específicos que apontaram marcadores inflamatórios característicos. Ele também testou positivo para o coronavírus, mesmo sem nenhum sintoma respiratório prévio ou no momento na internação. A criança recebeu tratamento com imunoglobulina e precisou de internação em UTI. A morte ocorreu no dia 11 de janeiro.

Ministério da Saúde abandonou monitoramento

Durante pico da pandemia da covid-19 na Europa, em abril de 2020, houve alertas sobre a identificação de uma nova apresentação clínica em crianças, possivelmente associada à infecção pelo Sars-CoV-2, o vírus causador da covid-19, posteriormente definida como Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). Diante da emergência, em julho do ano passado, o Ministério da Saúde implantou o monitoramento nacional da ocorrência da SIM-P temporalmente associada à covid-19.

Ana Carolina, pediatra do HM, que atende pacientes com SIM-P

Foto: SES Alagoas/ Divulgação

Ana Carolina, pediatra do HM, que atende pacientes com SIM-P

Foto: SES Alagoas/ Divulgação

Embora tenha o quadro clínico bastante similar à Síndrome de Kawasaki, a SIM-P geralmente ocorre em crianças mais velhas, com alterações evidentes dos marcadores inflamatórios e disfunção cardíaca. A maioria dos casos relatados apresentam exames laboratoriais que indicam infecção atual ou recente pelo Sars-CoV-2 (por biologia molecular ou sorologia) ou vínculo epidemiológico com caso confirmado para covid-19. O Ministério da Saúde deixou de atualizar os dados sobre a doença em outubro do ano passado, quando o país tinha 511 casos confirmados e 35 mortes por SIM-P.

HOSPITAL DA MULHER – Em Alagoas, o Hospital da Mulher Nise da Silveira (HM), de Maceió, é referência no atendimento a pacientes acometidos pela SIM-P. O estado registrou quatro casos da doença que testaram positivo para covid-19.

“A principal característica da SIM-P é uma febre alta persistente, que chega a durar mais de três dias, associada aos sintomas gastrointestinais, como dor abdominal intensa, diarreia, náuseas e vômitos. Além disso, o paciente pode apresentar manchas vermelhas no rosto e no corpo, conjuntivite, descamação da pele, linfonodos cervicais e alterações na coagulação sanguínea, favorecendo a formação de trombos e de sangramentos e problemas cardiovasculares”, destaca Ana Carolina Ruela, pediatra do HM.

O quadro clínico da doença na fase aguda é, na maior parte dos casos, assintomático. “A maioria das crianças e dos adolescentes não apresenta nenhum sintoma e, caso manifeste, é uma gripe muito leve que os especialistas não conseguem caracterizar. É o padrão que temos observado durante os atendimentos. Entre um a dois meses, após a infecção pelo novo coronavírus, que, às vezes, nem foi percebida, em virtude de estarem assintomáticos, eles podem desenvolver essa síndrome”, acrescenta a pediatra.

 

Perfil dos casos de SIM-P no RS

Sexo
• Feminino: 8
• Masculino: 17

Idades
• Menores de 1 ano: 3
• Entre 1 e 5 anos: 7
• Entre 6 e 10 anos: 11
• Entre 11 e 15 anos: 4

Municípios de residência
• Alto Feliz: 1
• Alvorada: 1
• Cachoeirinha: 1
• Canoas: 1
• Encantado: 1
• Gravataí: 1
• Guaporé: 1
• Miraguaí: 1
• Nova Petrópolis: 1
• Parobé: 2
• Porto Alegre: 9
• Santa Maria: 1
• Santo Antônio da Patrulha: 1
• São Leopoldo: 1
• Tramandaí: 1
• Viamão: 1

*Com informações das secretarias de Saúde do RS e Alagoas.

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