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06/09/2018
ECONOMIA

Segundo a entidade, atual direção da companhia antecipa redução de dívidas para privatizar US$ 19,5 bilhões em ativos até 2021 e beneficiar acionistas estrangeiros
Por Gilson Camargo
Felipe Coutinho, presidente da Aepet: 95% dos lucros com a venda da BR Distribuidora foram parar na mão de acionistas, muitos deles estrangeiros

Foto: Aepet/ Divulgação

Felipe Coutinho, presidente da Aepet: 95% dos lucros com a venda da BR Distribuidora foram parar na mão de acionistas, muitos deles estrangeiros

Foto: Aepet/ Divulgação

A receita da Petrobras sempre foi superior aos seus custos operacionais. Entre as dez maiores petroleiras do mundo e líder mundial na exploração de petróleo em águas profundas, a estatal brasileira tinha 22,5 bilhões de dólares em caixa em 2017 e projeta acumular outros 8,1 bilhões até 2022, média de geração de caixa na ordem de 35 bilhões de dólares ao ano.

Os indicadores são elencados pela Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), que divulgou um artigo e um video nesta quarta-feira em que questiona o “mito da Petrobras quebrada” difundida pelo governo federal e amplificada pelos meios de comunicação com vistas à privatização da companhia. “O endividamento da Petrobras tem sido uma das principais justificativas oficiais para a privatização fatiada da estatal, com alienação de mais de US$ 34 bilhões até 2021. A corrupção revelada pela Lava Jato e que vitimou a Petrobras é usada para construir o senso comum e convencer a opinião pública de que não há alternativa”, alertam o economista aposentado da Petrobras, Cláudio Oliveira, e o engenheiro químico e presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), Felipe Coutinho.

De acordo com a análise apresentada por Oliveira e Coutinho, a dívida da Petrobras só foi superior à receita em 2015 em função da forte elevação cambial e em 2016 “devido a uma estranha queda de receita ainda não bem explicada pela empresa”. As evidências apontam que a capacidade de gerar receita é compatível com o endividamento. Por isso não faltam recursos quando a Petrobras acessa os mercados de crédito nacional e internacional, explica o dirigente da Aepet.

A geração operacional da Petrobras tem girado em torno de US$ 26 bilhões. Como o “Usos e Fontes” do Plano de Negócios e Gestão 2017/2021 indica uma média de geração anual em torno de US$ 30 bilhões, a estimativa é de uma geração de US$ 35 bilhões em 2020/2021, gerando um excedente significativo para a amortização da dívida, observam os autores. “Ocorre que a atual administração da Petrobras quer reduzir a dívida o mais rápido possível, mesmo fora do tempo adequado para isto. Antecipou de 2020 para 2018 a meta de redução da alavancagem, medida pela razão entre a dívida líquida e a geração de caixa, em 2,5. Sem a antecipação da meta não seria necessário privatizar os US$ 19,5 bilhões em ativos até 2021. A antecipação da meta foi a forma encontrada para justificar o massivo desinvestimento, a toque de caixa”, denunciam.

Confira a íntegra do video A Petrobras está quebrada. Mito ou realidade?

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