AMBIENTE

Política ambiental de Bolsonaro será tema de audiência no Senado

Avaliação da política climática executada pelo governo federal ocorre em meio ao avanço do garimpo ilegal e queimadas e desmatamento recordes
Da Redação / Publicado em 14 de outubro de 2021

Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Dados do INPE e do Imazon revelam aumento significativo das taxas de desmatamentos e queimadas tanto na Amazônia quanto no Cerrado

Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado promove nesta sexta-feira, 14, a partir das 10h, audiência pública para avaliar a política climática executada pelo governo federal, especialmente relacionada à prevenção e ao controle de desmatamentos e queimadas nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.

O objetivo da audiência, proposta pelos senadores Jaques Wagner (PT-BA), Eliziane Gama (Cidadania-MA), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jayme Campos (DEM-MT) é identificar falhas e omissões e propor recomendações.

Os parlamentares lembram que o problema do aquecimento do planeta é uma emergência global, que tem aumentado a frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos, causando tempestades tropicais, inundações, intensas ondas de calor e frio, secas prolongadas, furacões, tornados e tsunamis.

“Tudo isso tem gerado graves consequências para as populações humanas, para os ecossistemas naturais e para a produção de alimento e disponibilidade de água em todo o mundo”, afirmam no requerimento.

Os senadores destacam ainda que o Estado brasileiro participa há várias décadas dos esforços internacionais de enfrentamento do problema do aquecimento global.

“Todo esse trabalho culminou com a instituição da Política Nacional de Mudanças do Clima (Lei 12.187, de 2009), na qual o país assumiu a meta de redução das emissões de gases de efeito estufa de 36,1% a 38,9%, em relação a um cenário tendencial projetado para 2020. Além disso, o Brasil assinou o Acordo de Paris, comprometendo-se, perante a sociedade brasileira e o mundo, a reduzir suas emissões em 37% até 2025, em relação a 2005, e indicou uma redução de 43% em 2030, em relação ao mesmo ano. Ele entrou em vigor em 2016 e se propõe a iniciar em 2020 uma espécie de mutirão global com vistas a estabilizar o aquecimento da Terra bem abaixo de 2ºC neste século, buscando limitá-lo a 1,5ºC”.

Desmatamento e queimadas

Dados dos dois últimos anos do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) revelam aumento significativo das taxas de desmatamentos e queimadas tanto na Amazônia quanto no Cerrado, apontam os senadores. A situação também é grave no Pantanal, que nos últimos dois anos sofre com incêndios que já atingiram, pelo menos, 30% de todo o bioma.

Amazônia

Na Amazônia, uma área equivalente a cinco vezes o tamanho de Belo Horizonte foi desmatada apenas em agosto, atingindo o maior índice para aquele mês em uma década.

Com isso, o acumulado desde janeiro de 2021 também ficou como o pior do período, apontam dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Com 1.606 km² de floresta destruída, agosto foi o quinto mês deste ano em que o desmatamento atingiu o pior cenário desde 2012. Março, abril, maio e julho também tiveram a maior área de floresta destruída em 10 anos, o que indica que as medidas tomadas para combater a derrubada não foram suficientes para reduzir o ritmo do dano ambiental.

Mudanças climáticas

Às vésperas da COP26, conferência sobre mudanças climáticas que será promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em novembro, na Escócia, a CMA quer dar prosseguimento ao trabalho contínuo de “controle sobre as ações e omissões do Poder Executivo em relação a esta política de clima, particularmente de enfrentamento dos desmatamentos e queimadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal”.

O secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Fernando Silveira Camargo é um dos convidados para o debate.

Também participarão da audiência pública representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Como participar

O evento será interativo. O público pode enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e‑Cidadania. As mensagens poderão ser lidas e respondidas pelos senadores e debatedores ao vivo. O Senado oferece uma declaração de participação, que pode ser usada como hora de atividade complementar em curso universitário, por exemplo.

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