CULTURA

Artistas de Rua: identidade urbana e pertencimento

O espaço urbano como palco e as histórias de vida de profissionais que atuam nas ruas de Porto Alegre estão em exposição na Galeria Ecarta, até 8 de novembro
Por Gilson Camargo / Publicado em 30 de outubro de 2020
Andressa Brzezinski, malabares: "o público muda a cada 30 segundos, mesmo sem ser convidado"

Andressa Brzezinski, malabares: “o público muda a cada 30 segundos, mesmo sem ser convidado”

Foto: Igor Sperotto

Muitas vezes invisibilizados no cotidiano de violência, disputa de poder e indiferença que caracterizam o espaço urbano em tempos de normalidade, os artistas de rua reivindicam um olhar ainda mais atento da sociedade para suas histórias de vida neste período de pandemia. É com este espírito que a Fundação Ecarta organizou a mostra fotográfica Artistas de Rua, aberta à visitação na Galeria Ecarta até 8 de novembro das 15h às 17h – mediante agendamento pelo telefone (51) 4009.2970.

Nesta última semana de exposição, ainda é possível acessar o universo de cinco artistas que mesmo no cenário caótico da pandemia seguem atuando nas ruas do Centro Histórico de Porto Alegre e em bairros próximos como São Geraldo, Partenon e Menino Deus. São retratos dos artistas em seus lugares de apresentação e um vídeo da performance com malabares e pinturas.

Os artistas retratados são os malabares Andressa Brzezinski e Felipe Ganja, os músicos José Luís e Salatiel Pereira e o artista visual e pintor Daniel Jesus de Freitas. “A ideia da exposição partiu da intenção de colocar um olhar sobre os artistas de rua durante o período de pandemia e suas consequências devido ao esvaziamento das áreas públicas da cidade”, ressalta o fotógrafo Igor Sperotto, que divide a curadoria da mostra com Nicolas Beidacki, Cristiano Goldschmidt, Vitor André Rolim de Mesquita e Walter Karwatzki.

Cada curador convidado indicou um artista de rua para ter seu trabalho levado ao espaço expositivo da Galeria Ecarta. “O artista que indiquei foi o Daniel Jesus, um pintor argentino que vive nas ruas do quarto distrito. Imigrante, artista, sem casa… Ele encarna em vários aspectos o abandono e o desleixo que a sociedade demonstra pelo diferente, pelo que não entende, pelo que não fala a sua língua”, define Sperotto.

Além de dividir a curadoria da exposição, ele destaca a oportunidade de fazer um retrato de cada um dos artistas para compor a mostra. “Encontrei nos textos e mensagens em elementos urbanos como outdoors, placas e grafites, um elo visual que costura e une suas performances solitárias”.

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