CULTURA

No palco e em livro, Suzana Saldanha faz inventário de 60 anos de carreira

A atriz e professora de teatro Suzana Saldanha apresenta um mosaico repleto de memórias, histórias dos palcos e reflexões em seu livro autobiográfico Nunca pensei em ser atriz e no espetáculo solo Eu é Nós
Da Redação / Publicado em 21 de julho de 2022

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Suzana Saldanha, em ‘A mulher carioca aos 22 anos’ (1990): inventário da carreira nos palcos

Foto: Luciana Sodres/ Divulgação

A atriz e professora de teatro Suzana Saldanha, 76 anos, está comemorando seis décadas de uma carreira repleta de contribuições à dramaturgia, iniciada em 1967 e marcada pelo Grupo de Teatro Província, que ela ajudou a fundar em 1972 juntamente com colegas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e por atuações memoráveis em peças como Senhora dos afogados (2010), dirigida por Ana Kfouri.

A memória, histórias dos palcos e reflexões sobre a vida e a carreira artística estão registrados no livro autobiográfico Nunca pensei em ser atriz (Ardotempo, 144p.), que terá novo lançamento no dia 30 de julho, no La vita è Bella (Rua Dona Leonor, 45 – Bairro Rio Branco – Porto Alegre), juntamente com nova apresentação do espetáculo solo Eu é Nós.

Em 2012, Suzana (D) dirigiu ‘O mundo de Camila’, de Nico Nicolaiewsky, com atuação e direção musical de Márcia do Canto

Foto: Gilberto Perin

“No livro, eu navego pela memória desde o momento que desisti de fazer História e troquei por Arte Dramática, em Porto Alegre. Falo, é claro, do Grupo de Teatro Província e da minha ida ao Rio onde participei do Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, entre outros tantos trabalhos”, adianta.

Além do texto da atriz, o livro tem colaborações de amigos e profissionais com os quais Suzana Saldanha trabalhou no teatro, cinema e televisão, como Aderbal Freire-Filho, Luís Artur Nunes, José Ronaldo Faleiro, Candido Damm, Leonardo Neto, Antônio Hohlfeldt, Haydée Porto, Abrão Slavutzky, Ana Cláudia Munari e Raquel Iantas.

Também está publicado no livro o texto do espetáculo solo, com dramaturgia e atuação de Suzana, além de 65 fotografias que ilustram momentos importantes da carreira da atriz. “Suzana múltipla, plurifacetada, nuançada, matizada como a vida, inteira em seu viver, com o ‘Coração depurado’: a pessoa na atriz/a atriz na pessoa, atenta ao momento ao que ocorre no palco e na plateia, na vida”, resume o ator, diretor e professor José Ronaldo Faleiro na apresentação do livro.

Entre os momentos resgatados na publicação aparecem registros da passagem da atriz pela televisão. Como apresentadora, participou da última entrevista de Elis Regina, em 1981 e do registro da primeira passagem da coreógrafa e dançarina alemã Pina Bausch pela capital gaúcha.

Inventário

Imagem: Arte sobre foto de Gilberto Perin

O livro autobiográfico e o espetáculo solo são definidos pela atriz como um inventário do seu ofício como artista.

Além da fundação do Grupo de Teatro Província voltado para um “teatro vivo”, ou seja, contemporâneo, de pesquisa e que produziu espetáculos como Era uma Vez uma Família, Era uma Vez uma Família que disse Não, com roteiro e direção coletiva, Suzana recebeu o Troféu Açorianos de Melhor Atriz em 1979 por A Comédia dos Amantes ou Os Amantes da Comédia, com roteiro e direção de Luís Artur Nunes.

Transferida para a Uni-Rio e depois para UFRJ, onde se aposentou, a atriz participou em 1990 da criação do Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, que estreou com o romance-em-cena A Mulher Carioca aos 22 Anos, de João de Minas, um marco do teatro do Rio de Janeiro, com direção de Aderbal Freire-Filho

Também atuou nos espetáculos teatrais O tiro que mudou a história (1991) e O carteiro e o poeta (1997), ambos com direção de Freire-Filho; Electra Concreta (1986), de Gerald Thomas; e Senhora dos afogados (2010).

Em 2002, recebeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante do Festival de Gramado com o longa Separações, de Domingos Oliveira; dirigiu a peça O mundo de Camila, monólogo para crianças estrelado por Márcia do Canto e a leitura cênica Comunidade do Arco Íris, no Festival Caio Entre Nós. Também escreveu o livro Meu nome é Anita, parceria com Elma Sant’Ana que reúne dramaturgia e resgate histórico de Anita Garibaldi.

Autoficção

Suzana relata como surgiu o título do livro.

“Na verdade, quando comecei a escrever o livro, eu nem sabia que nome ia dar. De repente, eu pensei: ‘eu nunca pensei e ser atriz e …’! Eu nunca pensei e ser atriz! É esse o nome do livro. As pessoas compram o livro e perguntam, ‘como que você nunca pensou em ser atriz?’. Ainda bem que ele tem onde se apoiar: na autoficção, na mentira, no faz-de-conta. E ficou com esse nome”. Só que ninguém acredita. Quando eu me dei conta que eu falava o nome do livro e as pessoas reagiam, mas como que você nunca pensou se você nasceu atriz? E eu achei que era legal eu criar um outro movimento dentro do livro que foi convidar os meus colegas, os que trabalharam comigo, inclusive os meus diretores, o Aderbal Freire-Filho, o Luís Artur Nunes, o Antônio Gilberto e o José Ronaldo Faleiro pra que eles falassem de mim como atriz que nunca pensou em ser atriz…”.

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