CULTURA

Krenak é o primeiro indígena na Academia Brasileira de Letras

Suas obras mais recentes são A Vida Não É Útil (2020) e Ideias para Adiar o Fim do Mundo (2019) e ocupará a cadeira número cinco, que vagou com a morte de José Murilo de Carvalho
Da Redação / Publicado em 5 de outubro de 2023

Krenak é o primeiro indígena na Academia

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na tarde desta quinta-feira, 5, Ailton Krenak foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Escritor, filósofo e ativista da causa dos povos originários e defensor do uso medicinal do canabidiol, ele é será o primeiro indígena a vestir o fardão dos imortais da ABL.

Krenak ocupará a cadeira número cinco, que vagou com a morte de José Murilo de Carvalho, em agosto passado.

O líder dos crenaques era considerado o favorito desde o início do pleito. Ailton recebeu 23 votos, superando a historiadora Mary Del Priore, que obteve 12 votos, e o outro representante indígena, o escritor Daniel Munduruku, que ganhou três votos.

Krenak, ao contrário de seus concorrentes, preferiu por não fazer campanha, e passou a maior parte do tempo na Reserva Indígena Krenak, no município de Resplendor, em Minas Gerais.

Suas obras mais recentes são A Vida Não É Útil (2020) e Ideias para Adiar o Fim do Mundo (2019), ambas publicadas pela Companhia das Letras.

“Como justificar que somos uma humanidade se mais de 70% estão totalmente alienados do mínimo exercício de ser? A modernização jogou essa gente do campo e da floresta para viver em favelas e em periferias, para virar mão de obra em centros urbanos. Essas pessoas foram arrancadas de seus coletivos, de seus lugares de origem, e jogadas nesse liquidificador chamado humanidade. Se as pessoas não tiverem vínculos profundos com sua memória ancestral, com as referências que dão sustentação a uma identidade, vão ficar loucas neste mundo maluco que compartilhamos”, escreveu Krenak, em Ideias para adiar o fim do mundo.

Krenak é Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora e ocupa a cadeira 24 da Academia Mineira de Letras. Participou da fundação da União Nacional dos Indígenas (UNI) e comoveu o país ao discursar na Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, quando pintou o rosto com tinta preta de jenipapo em protesto ao retrocesso dos direitos indígenas. Com a atitude, ajudou a aprovar o marco constitucional para as relações entre o Estado, a sociedade e os índios.

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