OPINIÃO

MEC sob efeito da política de simulacro

Por Lucas C. Roxo* / Publicado em 10 de maio de 2019
"O ministro da Educação, Abraham Weintraub, representa o viés econômico e a mercantilização da educação"

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

“O ministro da Educação, Abraham Weintraub, representa o viés econômico e a mercantilização da educação”

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

No jogo de poder no Brasil, configurou-se a política de simulacro como modo de fazer política, segundo o movimento da aparência e da estetização do poder.

Esse tipo de política opera mediante cavalos de troia, cortinas de fumaça, manipulação do imaginário coletivo, uso do discurso de negação do outro e da política, com falas e discursos moralistas, narrativas contra-históricas, desviando a atenção do essencial para o aparente e periférico. Nela, se desenrola o espetáculo da imagem, para onde o senso comum converge. É a política da distração, do engano e da irracionalidade.

A preocupação do presidente da República com golden shower, com a negação do golpe de 64 e da ditadura no Brasil; da ministra Damares Alves com ‘menino veste azul e menina veste rosa’; a afirmação do ministro Ernesto Araújo de que o ‘Nazismo é de esquerda e não de extrema direita’ e que o ‘marxismo cultural’ deve ser combatido, reflete o jogo do aparente nos discursos e nas ações do governo federal, em que seus ministros atuam como simuladores, ou seja, estão ali para desviar e prender a atenção, enquanto desconstituem a soberania do país e a própria Constituição.

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está sob influência ideológica do antimarxismo cultural. Tanto o ex-ministro Velez Rodrigues quanto o atual, Abraham Weintraub, são ramificações do mesmo jogo simulacral. O primeiro, simbolizava o ataque à ideologia de esquerda, a disciplina nas escolas com regras militares e alteração dos fatos históricos nos livros didáticos; o segundo, recém-empossado, representa o viés econômico, a mercantilização da educação e o seu retrocesso, evidenciado, também, na fala do presidente: “Nós queremos uma garotada que comece a não se interessar por política”.

O cidadão apolítico que o presidente da República deseja educar é o idiota. O mesmo idiótes grego, que preferia não usufruir da liberdade pública para viver o seu mundo privado. Hoje, o mundo privado oscila entre o conservadorismo moralista e a internet como caverna degenerativa dos fatos pelas imagens, onde esse tipo de política atua soberana sobre as mentes, convertendo-as em simulacros miméticos da ignorância, do anti-intelectualismo e da alienação.

A política de simulacro está minando as instituições, degenerando o poder, a política e desqualificando a democracia.

*Filósofo, professor na Fundação Bradesco e consultor educacional.

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