EDUCAÇÃO

Decotelli deixa o MEC após escândalo do currículo fake

Terceiro ministro da Educação de Bolsonaro pede demissão após fritura por informações falsas no Lates. Provável substituto é filósofo e religioso ligado ao setor privado
Por Gilson Camargo / Publicado em 30 de junho de 2020
Economista nomeado por Bolsonaro no dia 25 pediu demissão após declarar títulos inexistentes e plágio

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Economista nomeado por Bolsonaro no dia 25 pediu demissão após declarar títulos inexistentes e plágio

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Cinco dias depois da nomeação por Jair Bolsonaro (sem partido) para o Ministério da Educação (MEC) e sem ter sido empossado no cargo, o professor Carlos Alberto Decotelli entregou nesta terça-feira, 30, sua carta de demissão ao presidente da República. Oficial reformado da Marinha e economista, Decotelli seria o terceiro titular do MEC no atual governo. A saída ocorreu após seu currículo ter sido questionado por ao menos três instituições nas quais ele alega ter estudado ou atuado como professor e por acusações de plágio em uma dissertação de mestrado.

A anulação do ato de nomeação de 25 de junho deverá ser publicada no Diário Oficial da União. Entre os nomes cotados pelo Planalto para o MEC, um dos prováveis indicados será o professor, filósofo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj) e teólogo Gilberto Gonçalves Garcia. Ligado ao empresário do setor privado da Educação, Antônio Veronezi, e próximo dos ex-ministros da Educação, Abraham Weintraub, e Cidadania, Onyx Lorenzoni, Garcia foi reitor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e presidiu o Conselho Nacional de Educação entre 2014 e 2016.

Ligado ao setor privado, o teólogo Gilberto Garcia é cotado para assumir o MEC

Foto: Divulgação

Ligado ao setor privado, o teólogo Gilberto Garcia é cotado para assumir o MEC

Foto: Divulgação

Na segunda-feira, 29, Bolsonaro ainda saiu em defesa de Decotelli e afirmou que desde a nomeação o então novo ministro vinha sofrendo tentativas de “deslegitimação”. “Desde quando anunciei o nome do Professor Decotelli para o Ministério da Educação só recebi mensagens de trabalho e honradez. Por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério. O sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta, bem como, está ciente de seu equívoco. Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos”, afirmou. Mas logo após a revelação das informações falsas no currículo, Bolsonaro começou a buscar alternativas para a pasta.

Um doutorado na Universidade de Rosário, na Argentina, e um pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha que constam no currículo de Decotelli não foram confirmados pelas universidades. Diante da repercussão, as informações foram corrigidas às pressas na Plataforma Lattes, mas o desgaste já estava gerado. A saída era dada como certa entre assessores do MEC ao longo da última semana. Franco Bortolacci, reitor da Universidade Nacional de Rosário, revelou que Decotelli não obteve título de doutor e que sua tese foi reprovada. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciou que estava apurando a denúncia de plágio na dissertação do ministro, apresentada em 2008 para a conclusão de um mestrado em Administração, e informou que ele não faz parte do seu quadro de professores. No currículo, há 18 registros como docente da FGV entre 2001 e 2018.

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