GERAL

O olhar da Fiocruz dentro das favelas durante a pandemia

A Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz publicou a 11ª edição do informativo "Radar Covid-19 Favela" traz o quadro de insegurança alimentar de famílias e a extrema vulnerabilidade nas periferias
Da redação / Publicado em 15 de julho de 2021

Foto: Reprodução/acervo Projeto Recomeçar/Fiocruz/Divulgação

Foto: Reprodução/acervo Projeto Recomeçar/Fiocruz/Divulgação

A Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz publicou na última quarta-feira, 14, a 11ª edição do informativo “Radar Covid-19 Favela” . A revista traz como tema a covid-19, a fome e a rua com relatos pessoais e textos informativos sobre o quadro de insegurança alimentar de famílias, a extrema vulnerabilidade de pessoas em situação de rua e a atuação de movimentos sociais, organizações e instituições no Rio de Janeiro. A vacinação contra Covid-19 e as dificuldades do sistema público de saúde em manter a atenção a essa população também são tematizadas no Especial.

Radar Covid-19 Favela é um informativo produzido no âmbito da Sala de Situação Covid-19 nas favelas do Rio de Janeiro, vinculada ao Observatório Covid-19 da Fiocruz. Estruturado com base no monitoramento ativo (vigilância de rumores) de fontes não oficiais – mídias, redes sociais e contato direto com moradores, coletivos, movimentos sociais, instituições e articuladores locais – busca sistematizar, analisar e disseminar informações sobre a situação de saúde nos territórios selecionados, visando promover a visibilidade das diversas situações de vulnerabilidade e antecipar as iniciativas de
enfrentamento da pandemia.

Relatos

Os relatos são coletados por meio da constituição de uma rede de interlocutores, valorizando a produção compartilhada de conhecimento, o acesso e a participação ativa de moradores de favelas e de seus movimentos sociais. As opiniões refletidas nos textos assinados, no entanto, não necessariamente refletem a opinião da Fiocruz. O conteúdo é composto de relatos de moradores, notas de movimentos sociais e coletivos, denúncias e reportagens sobre o contexto enfrentado por territórios de favela e periferia durante a pandemia.

A seção Megafone traz informações sobre o atendimento no Centro Municipal de Saúde do Catiri, a baixa adesão dos moradores à segunda dose da vacina contra Covid-19 e à imunização contra gripe. A morte do jovem Thiago da Conceição, morto dentro de casa durante operação da Polícia Civil no Morro da Fé, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, em junho deste ano é lembrada na seção. Por decisão de ministro do Supremo Tribunal Federal, documentos da Polícia Civil sobre a operação Exceptio (que vitimou 28 pessoas) deixarão de ser sigilosos e poderão ser consultados por movimentos sociais e organizações. O documentário “Saúde sem máscara” será lançado esse mês pelo canal da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) no Youtube e ficará gravada. O filme é fruto da pesquisa “Monitoramento da saúde, acesso à EPIs de técnicos de enfermagem, agentes de combate às endemias, enfermeiros, médicos e psicólogos, no município do Rio de Janeiro em tempos de Covid-19”.

Adriana Martins, feminista negra e de asé. Ativista da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMBRio) e do Movimento Negro Unificado-Nova Iguaçu/RJ. Integrante da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa

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Adriana Martins, feminista negra e de asé. Ativista da Articulação de
Mulheres Brasileiras (AMBRio) e do Movimento Negro Unificado-Nova
Iguaçu/RJ. Integrante da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa

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Fome e rua

O Especial “Covid-19, a fome e a rua” apresenta quatro textos. No depoimento “A rua e eu”, Vânia Rosa conta sua trajetória como ex-pessoa em situação de rua, militante e ativista de direitos humanos da população em situação de rua. Voluntários Grupo de Estudos Integrais Demétrius e do Instituto Socioeducacional Reaprender assinam o texto “Pandemia e pessoas em situação de rua”. Adriana Martins, ativista da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMBRio) e do Movimento Negro Unificado-Nova Iguaçu/RJ, é a autora do relato “A fome dói, tem voz e mata!!!”. O texto “Da “farinha eubra” à cesta básica”, de Raimundo Carrapa, Movimento Negro Unificado Favelas, Vila Kennedy, encerra o especial com informações sobre a formação dos bairros populares de Vila Kennedy, Paciência, Cidade de Deus e Aliança foram construídos nos anos 60 e a relação do processo com projetos de segurança alimentar.

Manguinhos

Em O que tá pegando nas favelas?, André Lima, do Conselho Comunitário de Manguinhos anuncia a realização da 3ª Conferência Livre de Saúde em Manguinhos nos dias 24 e 31 de julho. A seção também conta com o texto sobre o marco de um ano do Painel unificador Covid-19 nas favelas.

A seção Debates desta edição apresenta o texto “A juventude das favelas e as consequências sociais da pandemia” de autoria de André Sobrinho e Luciane Ferrareto, coordenadores da Agenda Jovem Fiocruz.  Maria Elizabeth Trindade, estudante de Terapia Ocupacional/IFRJ conta sua história como moradora da comunidade de Vila Canaã – as dificuldades relacionadas à segurança pública, saneamento básico e mobilidade urbana no texto “Mobilidade territorial e Covid-19”.

Movimentos sociais

Encerrando a edição, a editoria Movimentos sociais apresenta o texto “Coletivo em Manguinhos aposta em cultura no combate à pandemia” sobre o Coletivo Manguinhos Cria.

O Radar Covid-19 Favela usa como base de coleta dos relatos as mídias sociais de coletivos de favelas cariocas, o contato direto com moradores, lideranças e movimentos sociais e busca sistematizar, analisar e disseminar informações sobre a situação de saúde nos territórios em foco em cada edição. Lideranças e comunicadores populares podem enviar sugestões de pauta, matérias e crônicas sobre a Covid-19 em seus territórios para o e-mail radar.covid19@fiocruz.br. O Radar Covid-19 Favelas e o Boletim Socioepidemiológico nas Favelas são iniciativas da Sala de Situação Covid-19 nas Favelas do Rio de Janeiro e podem ser acessados na página do Observatório Covid-19 da Fiocruz.

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