JUSTIÇA

PF faz busca e apreensão na Precisa Medicamentos

Empresa é alvo da CPI da Pandemia por irregularidades e sobrepreço na compra da vacina Covaxin, laboratório indiano Bharat Biotech, pelo Ministério da Saúde
Por Gilson Camargo / Publicado em 17 de setembro de 2021
PF cumpre mandato em endereços da Precisa Medicamentos

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Advogado Pedro Velloso e o sócio-proprietário da Precisa Medicamentos, Francisco Emerson Maximiano, prestaram depoimento à CPI da Pandemia no dia 19 de agosto

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A Polícia Federal cumpre na manhã desta sexta-feira, 17, mandados de busca e apreensão em endereços da Precisa Medicamentos, em Barueri e Itapevi, na Grande São Paulo.

A empresa é investigada na CPI da Pandemia do Senado por irregularidades na intermediação da compra de vacinas da farmacêutica indiana Bharat Biontech pelo Ministério da Saúde.

Os mandados de busca e apreensão têm como objetos o contrato original e todos os documentos relacionados à negociação entre a Precisa, a empresa indiana e o governo federal que foram sonegados à CPI.

A operação, iniciada às 6h, foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Os senadores Omar Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros queriam a busca e apreensão de documentos que comprovam a atuação de uma alta autoridade do governo federal como lobista do setor privado nessa operação de compra de vacinas. Após interferência da Procuradoria-Geral da União, o STF negou o pedido.

Irregularidades, lobby e Sobrepreço

Foto: Reprodução

Polícia Federal fez buscas e apreensões de documentos nas sedes da empresa, na Grande São Paulo

Foto: Reprodução

Em nota, o comando da CPI da Pandemia afirma que buscou de todas as formas a obtenção dessas informações junto à empresa e ao Ministério da Saúde, não obtendo êxito. “Devido a isso, se fez necessária a utilização deste instrumento judicial”.

Os advogados da Precisa, Ticiano Figueiredo e Pedro Velloso, alegam que a empresa entregou todos os documentos à CPI e que seu sócio-proprietário, Francisco Maximiano, prestou depoimento, com esclarecimentos, termo por escrito registrado em cartório, e foi dispensado de depor por duas vezes pela própria CPI, em 1° de julho e 14 de julho. No comunicado, qualificam a operação como “a prova mais clara dos abusos” da CPI.

O contrato para aquisição de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, fabricada pela farmacêutica indiana, também é investigado pelo Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União (TCU) e Polícia Federal por irregularidades e sobrepreço.

O TCU apontou que o imunizante foi o imunizante mais caro negociado pelo governo federal e custou R$ 80,70 a dose. O valor equivale a quatro vezes o maior custo da AstraZeneca, da Fiocruz.

Além disso, a pressa em fechar o contrato levantou suspeitas dos auditores. Embora não tenha concretizado a compra, o Ministério da Saúde fechou o acordo em apenas 97 dias, enquanto a negociação com a Pfizer não saiu antes de 330 dias.

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