JUSTIÇA

Juiz vê crime político e mantém preso assassino de líder petista no Paraná

Armado e aos gritos de “Aqui é Bolsonaro” e “Mito!”, agente penitenciário invadiu festa e executou a tiros militante petista em Foz do Iguaçu. Juiz manteve prisão por “crime político”
Da Redação / Publicado em 11 de julho de 2022

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Foto: Acervo Pessoal/ Twitter/ Reprodução

Guaranho foi ferido e preso em flagrante após invadir festa e executar tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, no Paraná

Foto: Acervo Pessoal/ Twitter/ Reprodução

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) determinou na manhã desta segunda-feira, 11, a prisão preventiva do policial Penal Federal Jorge José da Rocha Guaranho, 38 anos, preso em flagrante e investigado pelo assassinato a tiros do agente da Guarda Civil Municipal de Foz do Iguaçu e tesoureiro do Partidos dos Trabalhadores (PT), Marcelo Aloizio de Arruda, 50 anos.

O crime ocorreu na madrugada de domingo, 10. Arruda estava comemorando seu aniversário na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu, no bairro Jardim Jupira, em Foz do Iguaçu, com uma festa temática do PT e do ex-presidente e pré-candidato à presidência da República Luis Inácio Lula da Silva.

Imagens da câmera de segurança externa registraram o atentado com motivação política. Guaranho, que é apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro (PL), chega ao local gritando palavras de ordem bolsonaristas e discute com o tesoureiro do PT. Testemunhas relataram que o agressor chegou no local da festa aos gritos de “é Bolsonaro, seus filhos da puta”.

Ele é repudiado pelos presentes e vai embora. Volta momentos depois com uma arma e entra atirando no local onde está sendo celebrada a festa de aniversário do militante petista.

Ao ser atingido, Marcelo Arruda, que estava armado, revidou e atingiu o policial. Agente penitenciário desde 2010 e autor de postagens de ódio contra petistas, em defesa de armas e de apoio a Bolsonaro, de quem se disse “caixa 2” na campanha de 2018, Guaranho chegou a ser dado como morto pela polícia civil, que corrigiu a informação horas depois do crime. Atingido por disparos, ele foi autuado em flagrante e permanece internado no Hospital Municipal de Foz do Igacu. De acordo com boletim médico desta tarde, ele está intubado e sedado na enfermaria à espera de vaga em UTI. Seu estado é considerado grave.

A pedido do Núcleo de Foz do Iguaçu do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPR), que acompanha as investigações, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva.

Marcelo Arruda, que também era diretor-executivo do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi) era casado com a policial civil Pamela Suellen Silva, com quem teve quatro filhos.

Judiciário do Paraná constata assassinato político

Foto: Acervo Pessoal/ Reprodução

Marcelo Arruda comemorava aniversário de 50 anos quando foi executado a tiros na madrugada de domingo

Foto: Acervo Pessoal/ Reprodução

No despacho, o juiz Ariel Nicolai Cesa Dias, do Plantão Judiciário de Foz do Iguaçu, afirmou que “resta evidenciado que o flagrado coloca em risco a ordem social, se revelando necessária a contenção cautelar para evitar a reiteração criminosa, sendo que as peculiaridades do caso concreto apontam ser imperiosa a manutenção da segregação cautelar”.

Dias constata que houve crime político, concretizado com violência extrema e premeditação: “pelo que consta dos autos o flagrado, aparentemente por motivos de cunho político, praticou atos extremos de violência contra a vítima, que sequer conhecia, tendo invadido a sua festa de aniversário e após uma discussão inicial deixado o local, retornando cerca de dez minutos depois armado, efetuando na presença de diversos convidados os disparos de arma de fogo, em decorrência dos quais a vítima faleceu”.

Além disso, pontua a decisão judicial: “o flagrado atua na área de segurança pública – policial penal federal – o que eleva ainda mais a gravidade do delito considerando que este age (ou deveria agir) em nome do Estado, em prol dos interesses da coletividade. Portanto, a concessão da liberdade, neste momento, geraria sentimento de impunidade, serviria de estímulo à reiteração criminosa e colocaria em risco a sociedade”.

A defesa de Guaranho requereu a concessão de prisão domiciliar ao acusado assim que ele receber alta hospitalar. O pedido ainda não foi julgado.

Delegada afastada

O procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia, que designou o Gaeco para acompanhar as investigações, o MPR “continuará atuando firmemente para prevenir e punir todo e qualquer atentado à liberdade de manifestação, que é um direito assegurado a todos os cidadãos e preceito fundamental para o fortalecimento do regime democrático”.

O governo do estado do Paraná decidiu substituir a delegada da polícia civil Iane Cardoso do comando da investigação.

Ela foi substituída pela delegada divisional de homicídios Camila Cecconello.

O comando da polícia civil informou que Iane permanecerá na equipe de investigação e que será criada uma força-tarefa coordenada por Camila.

A assessoria da divisional de homicídios informou que a especializada possui mais recursos para tocar as investigações. No entanto, na primeira entrevista coletiva que deu ao assumir o caso, a delegada Iane Cardoso gerou polêmica ao se referir ao assassino como “vítima”.

Em suas redes sociais, a delegada coleciona manifestações antipetistas.

Violência política

“Desde o começo do ano, quando lançou uma Campanha Nacional contra a Violência Política, o PT vem alertando a sociedade brasileira e as autoridades dos vários Poderes da República para a escalada de perseguição a parlamentares, filiados e filiadas, militantes de movimentos sociais e de outros partidos de esquerda e o crescimento da violência política no país”, diz a nota do partido. O assassinato do militante ocorre em meio a alta de incidentes de violência e ameaças políticas na pré-campanha”, ressaltou em nota o Partido dos Trabalhadores (PT).

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