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Foto: Polícia Civil/ Divulgação
Operação Conseglieri da Polícia Civil fez devassa no gabinete do parlamentar e cumpriu mandados de busca e apreensão em investigação sobre esquema de rachadinhas e venda de alvarás
A Polícia Civil de São Leopoldo cumpriu na manhã desta quinta-feira, 22, mandados de busca e apreensão contra o vereador Rafael Souza (PDT), o secretário municipal de Administração, Thiago Gomes, e o diretor-adjunto do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), Venalto Severo, no âmbito da operação Consiglier, que investiga delitos de concussão – extorsão praticada por servidor público – venda de alvarás e divisão de salários de servidores.
Os três são acusados de participação em um esquema de divisão de salários de servidores nomeados em cargos de confiança e venda de alvarás.

Foram executadas quatro ordens judiciais nas residências de investigados, no gabinete do vereador e na Secretaria de Administração. A polícia pediu ao judiciário a prisão preventiva dos acusados e qualificou o caso como parte de uma “organização criminosa”
Foto: Polícia Civil/ Divulgação
Nesta manhã, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão. O parlamentar e a companheira dele, que exerce cargo em uma entidade paraestatal, foram afastados das funções. Eles também foram enquadrados em medida protetiva que impede a aproximação com as testemunhas.
De acordo com o delegado Ayrton Figueiredo, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, foram executadas quatro ordens judiciais nas residências de investigados, no gabinete do vereador e na Secretaria Municipal de Administração. A polícia pediu ao judiciário a prisão preventiva dos acusados e qualificou o caso como parte de uma “organização criminosa”.
Por meio de medidas cautelares, foi determinado o sequestro de celulares, veículos, imóveis e bloqueio de R$ 100 mil em contas bancárias dos envolvidos. Eles também tiveram documentos, mídias, HDs de computadores e outros materiais com potencial de provas apreendidos pelos policiais.

Rafael Souza (PDT) é investigado desde 2020 quando exercia cargo de secretário municipal
Foto: Câmara de Vereadores de São Leopoldo/ Divulgação
As investigações tiveram início depois que denúncias sobre o caso chegaram à Polícia Civil. De acordo com Figueiredo, o vereador exigiria valores de servidores ocupantes de cargos comissionados, sob pena de exoneração e futura perseguição política para quem se recusasse a realizar pagamentos mensais.
O vereador investigado estava na sua primeira legislatura e a extorsão de salários dos servidores teria iniciado em 2020, quando ele exercia cargo de secretário municipal.
Ainda conforme investigações, o vereador e a companheira dele recebiam mensalmente, em dinheiro, ou via transferências PIX, valores extorquidos que variavam de R$ 600,00 a R$ 2,5 mil, a depender do cargo exercido pelo servidor em cargo em comissão e cuja indicação política teria sido do investigado.
A investigação ainda constatou “evolução patrimonial abrupta do investigado a partir do ingresso dele nos cargos políticos”.
Junto do investigado ainda compõem a associação criminosa atuais ocupantes de cargos na Secretaria de Administração da Prefeitura de São Leopoldo, no Serviço Municipal de Água e Esgoto, além do chefe de gabinete do vereador.
“Durante a investigação, apurou-se também denúncias sobre exigências de valores para liberação de alvarás junto à secretaria da prefeitura, quando, supostamente, o mesmo vereador e comparsa teriam exigido R$ 8 mil para liberação de alvará de funcionamento para empreendimentos comerciais”, detalhou o delegado.
De acordo com Figueiredo, durante as investigações, o vereador teria tentado intimidar testemunhas, dizendo-se “poderoso”, com “amigos policiais e delegados” e que perseguiria politicamente quem colaborasse com a instrução.
A Polícia Civil também investigou um servidor que há 30 anos exerce cargos comissionados e funções de confiança na administração municipal e que é considerado por muitos como o “padrinho” político do vereador.
Em nota, a prefeitura de São Leopoldo informou a exoneração do secretário municipal de Administração, Thiago Gomes, e ressaltou que está contribuindo com as investigações e “zelando pela conduta ética e adequada dos princípios públicos”.
Em relação às denúncias envolvendo a venda de alvarás, a administração afirma que “não houve registro oficial envolvendo este tema e determinou a imediata abertura de processo administrativo para apurar tais fatos, do período 2017/2020”. A assessoria do vereador informou que ele não vai se manifestar fora dos autos. rachadinhas, rachadinhas, rachadinhas, rachadinhas