MOVIMENTO

Ônibus e trens devem parar no dia 14 de junho

Adesão das categorias de profissionais que atuam no transporte coletivo em todo o país intensifica mobilização para a greve geral
Por Gilson Camargo / Publicado em 29 de maio de 2019
Representantes de sindicatos de trabalhadores participaram da plenária de organização da greve

Foto: Gilson Camargo

Representantes de sindicatos de trabalhadores participaram da plenária de organização da greve

Foto: Gilson Camargo

Representantes das principais centrais sindicais e de sindicatos de trabalhadores de diversas categorias realizaram na manhã desta quarta-feira, no auditório do Sindicato dos Bancários, em Porto Alegre, uma plenária de mobilização e organização da greve geral que os movimentos sindical e social estão organizando para o dia 14 de junho em todo o país. A greve é contra o projeto de reforma da Previdência do governo que está tramitando na Câmara dos Deputados, e amplifica a mobilização contra os cortes de recursos das universidades públicas, o desemprego crescente e a estagnação da economia. Estão previstos atos públicos e concentrações de início e encerramento da greve em todas as capitais e principais cidades do interior em todo o país.

Dirigentes da CUT, CTB, Força Sindical, UGT, Nova Central, CGTB, Intersindical, CSP-Conlutas e CSB apresentaram relatos sobre as categorias de trabalhadores que já realizaram assembleias e deliberaram pela participação na greve. “O setor de transporte público deve paralisar, a começar pelos metroviários. O Sindimetrô já fez assembleia e decidiu: não vai ter metrô no dia 14 de junho. As outras categorias, como os rodoviários, estão debatendo com as centrais. Nós vamos atingir o objetivo de que não terá transporte. Para tudo”, relatou Claudir Nespolo, presidente da CUT/RS. Na plenária, houve pronunciamentos de representações de motoristas e cobradores de ônibus, metalúrgicos, sapateiros, professores, entre outras categorias que já decidiram em assembleias pela participação na greve. Os professores do ensino privado, representados pelo Sinpro/RS, fizeram assembleia no dia 18 de maio e votaram a favor da mobilização. Em assembleia realizada no dia 24, os petroleiros aprovaram por unanimidade a participação da categoria em todo o país. Em São Paulo, na terça-feira, os motoristas de ônibus do ABC e da Baixada Santista decidiram acompanhar metroviários e motoristas de coletivos da capital, que já haviam deliberado pela paralisação. Juntas, essas categorias transportam mais de 10 milhões de passageiros por dia.

Claudir Nespolo e Sérgio Nobre participaram de mobilização na Trensurb entre Novo Hamburgo e Porto Alegre

Foto: CUTRS/ Divulgação

Claudir Nespolo e Sérgio Nobre participaram de mobilização na Trensurb entre Novo Hamburgo e Porto Alegre

Foto: CUTRS/ Divulgação

TRENSURB – A partir das 7h30 desta quarta-feira, lideranças sindicais distribuíram panfletos em todas as estações e dentro dos trens da Trensurb no trajeto entre Novo Hamburgo e Porto Alegre. O secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores, Sérgio Nobre, veio ao estado para participar da mobilização. Acompanhado do presidente da CUT/RS e de lideranças sindicais da Grande Porto Alegre, Nobre embarcou em uma composição na estação Novo Hamburgo e conversou com usuários no trajeto até a capital, onde participou da plenária. “Quando a gente fala em Previdência todo mundo pensa em aposentadoria, mas não é só aposentadoria. A Previdência que ampara o trabalhador na ocasião da doença, da viuvez, e na maioria dos municípios do país são os recursos da aposentadoria que mantêm ativa a economia”, alertou.

De acordo com o secretário-geral da CUT Nacional, o projeto de reforma não ataca privilégios como alardeia o governo, mas representa o fim da aposentadoria para milhões de trabalhadores. “Acabar o sistema de Previdência pública, porque é disso que se trata essa reforma, é destruir a economia brasileira e implantar a selvageria no nosso país. Portanto, é muito grave o que está acontecendo. Nós estamos andando na CUT Nacional em todos os estados para alertar a classe trabalhadora e falar da importância da greve geral no dia 14, porque a grande imprensa esconde isso, diz que a reforma da Previdência é pra gerar empregos, e não é. Na verdade é para pagar aos bancos o apoio que deram à eleição do presidente Bolsonaro. Isso precisa ficar claro para a população, em especial aos cidadãos mais pobres”, explicou Bueno.

“Vamos recolocar os trabalhadores no jogo”

Dirigentes destacaram a unidade das centrais sindicais no estado

Foto: Gilson Camargo

Dirigentes destacaram a unidade das centrais sindicais no estado

Foto: Gilson Camargo

Ao final do encontro, o presidente da CUTRS avaliou que houve avanços que indicam um movimento mais denso e organizado em relação à greve de abril de 2018 que derrotou o projeto de reforma da Previdência do ex-presidente Michel Temer. “Definimos uma bela plenária de mobilização. Todas as centrais estão presentes, o movimento sindical do campo também, temos uma grande unidade. Todo mundo tem a sua representatividade e a gente só consegue resultado quando caminha junto. Ninguém isoladamente vai se salvar. Combinamos aqui aquilo que vai dar condição de parar o Brasil no dia 14 para derrotar o projeto de reforma da Previdência do Bolsonaro, assim como o resto das pautas que está vindo aí. Eles querem excluir, mas nós vamos colocar a classe trabalhadora na agenda”, disse.

O dirigente destacou a importância dos sindicatos na organização das suas respectivas categorias. “Combinamos aqui procedimentos fundamentais. Comece em sua casa. Cada sindicato chame sua categoria, debata, aprove a greve geral na sua categoria. Depois se junte nas cidades com outras categorias para ajudar a organizar os desempregados, as categorias inorganizadas para que eles também saibam o que está acontecendo porque eles só se informam pela grande imprensa que tem um deserto de desinformação a respeito da gravidade dessa reforma. Saímos daqui com as condições objetivas de fazer uma grande greve geral que literalmente nos coloque no jogo”, avalia.

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