MOVIMENTO

Profissionais da saúde protestam no Posto da Vila Cruzeiro, em Porto Alegre

Surto de covid-19 entre servidores da saúde em um dos principais postos da capital gaúcha provoca ato de protesto e denúncia contra Prefeitura por não tomar providências
Por César Fraga / Publicado em 22 de fevereiro de 2021

Profissionais da saúde fazem ato no Posto da Vila Cruzeiro, em Porto Alegre

Foto: CUTRS/Divulgação

Foto: CUTRS/Divulgação

Com lotação do atendimento acima do dobro da capacidade e com surto de contaminação de covid-19 entre profissionais, nesta segunda-feira, 22, ao meio dia trabalhadores da saúde do posto de Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (Pacs), em Porto Alegre, realizaram ato de protesto para denunciar a falta de condições de trabalho no local para que toda a comunidade saiba a real situação da unidade e da luta dos trabalhadores na defesa da saúde da população. O ato contou com participação e apoio de vereadores da oposição, sindicatos e da CUT/RS.

Com UTIs operando com 100% de lotação e as principais emergências com 150% da capacidade, três dos quatro PAs apresentavam lotação maior do que o dobro do que sua estrutura comporta: Pronto Atendimento da Bom Jesus (271,4%), da Cruzeiro do Sul (216,6%) e a UPA Moacyr Scliar (229,4%), na Zona Norte. A menos lotada era a da Lomba do Pinheiro, com 133,3% de lotação.

O número de pacientes com coronavírus nas UTIs de Porto Alegre é o maior desde 4 de setembro do ano passado. O estado registra mais 18 mortes por covid-19 em 24 horas e confirma mais de 1,7 mil casos.

Roberto Terres, da comissão de trabalhadores da saúde

Foto: Reprodução/Video

Roberto Terres, da comissão de trabalhadores da saúde

Foto: Reprodução/Video

“Este protesto é na verdade um pedido de socorro dos trabalhadores em relação à grave situação que nós estamos vivendo. Nós temos neste momento, enquanto ocorre o ato, em torno de 100 pessoas aguardando atendimento e apenas dois técnicos de enfermagem e dois médicos. Sendo que na sala vermelha (onde ficam os os casos graves aguardando leitos em hospitais), temos 13 pacientes internados, um deles entubado”, explica Alberto Terres, da comissão de trabalhadores do PACS. “Nós não temos funcionários, nós não temos condições para trabalhar e prestar um bom serviço à comunidade. Esse é o pedido de socorro que estamos fazendo. Já pedimos reunião com o secretário de saúde do município por duas vezes e não recebemos retorno até hoje.

Profissionais da saúde fazem ato no Posto da Vila Cruzeiro, em Porto Alegre (2)

Foto: Reprodução/CUTRS

Foto: Reprodução/CUTRS

Leia a íntegra da nota à comunidade feita pelos profissionais do “Postão da Cruzeiro”:

Profissionais de saúde do Postão da Cruzeiro (PACS) denunciam a falta de condições de trabalho: os trabalhadores e a população correm graves riscos.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS) pedimos socorro. De primeiro de janeiro até o dia 19 de fevereiro, 22 servidores foram testados, destes, 9 positivaram para Covid e dois até o dia de hoje (21/2) ainda não têm o resultado.

Esta estatística aponta um SURTO de Covid entre os servidores do PACS e nem a Direção do Posto ou a prefeitura municipal tomaram algum tipo de providência para rastrear a porta de entrada desta contaminação e a revisão nos processos de trabalho. Por esta negligência temos uma colega Técnica de Enfermagem na UTI do Divina Providência lutando contra a Covid.

A “tenda Covid” é um local fechado e servidores e servidoras estão trabalhando sem  ar condicionado em dias que a temperatura ultrapassou os 30 °C. Não é raro o fechamento da  tenda  por falta de médicos.

A abertura da “tenda Covid” ocorreu ainda no primeiro semestre de 2019, no entando nenhum servidor foi contratado. Estamos trabalhando com um quadro reduzido de pessoal porque muitos servidores foram afastados ou porque são do grupo de risco, ou foram infectados pelo Covid. Outros ainda se aposentaram sem que fosse feita reposição sobrecarregando ainda mais os colegas que ficam.

Em função da pandemia férias e licenças prêmio foram suspensas, a sobrecarga levou mais gente a adoecer e entrar de atestado, ninguém é substituído, mais sobrecarga e descontentamento. A nossa unidade está há mais de um ano sem Diretor Geral.

Durante a pandemia suspenderam a produção de alimentos no PACS, toda alimentação vem do HPS e o serviço de nutrição também foi extinto prejudicando a alimentação de pacientes e servidores. A quantidade de alimentos para os pacientes foi reduzida e dietas especiais foram cortadas.

No  refeitório faltam até copos e guardanapos de papel. No Plantão de Emergência em Saúde Mental (PESM) a sala de lanche é um poço de luz fechado com telhas transparentes, com temperatura da rua e sem ventiladores resultando em surtos de Covid e contaminação de pacientes.

No PESM as técnicas compram com o dinheiro de seus salários jogos e giz de cera para o entretenimento dos pacientes internados, assim como levam revistas e jornais de casa. Não tem lençóis pra todas as camas, faltam toalhas para o banho dos pacientes, os poucos lençóis são encardidos e  manchados.

Para terem condições de trabalho e atender a população com dignidade os trabalhadores e trabalhadoras do PACS exigem:

  • Reunião urgente com o Secretário de Saúde;
  • A nomeação urgente de médicos, enfermeiros e técnicos;
  •  Ação da fiscalização da Vigilância Sanitária e Conselhos;
  • Adequação dos ambientes e fornecimento adequado dos materiais;
  • A indicação de um diretor geral para o PACS;
  • Testagem em massa e vacinação pelo SUS para toda a população.

Por isso, realizaremos um ato de protesto em frente ao posto nesta segunda-feira, dia 22/02, ao meio dia, para que toda a comunidade saiba em que condições trabalhamos e lutamos para defender a saúde da população. Contamos com o apoio de todos.

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