MOVIMENTO

Solidariedade em contraponto à motociata

Realizado pelos movimentos sociais e centrais sindicais no último dia 10, o Dia de Solidariedade arrecadou e distribuiu alimentos para comunidades afetadas pela pandemia
Da Redação / Publicado em 12 de julho de 2021
Foram montadas quatro cozinhas comunitárias, que funcionaram no Simpa e nos bairros Cruzeiro, Farrapos e Glória, na capital gaúcha

foto: CUT-RS/Divulgação

Foram montadas quatro cozinhas comunitárias, que funcionaram no Simpa e nos bairros Cruzeiro, Farrapos e Glória, na capital gaúcha

foto: CUT-RS/Divulgação

No último sábado, 10 de julho, as centrais sindicais e os movimentos sociais promoveram o Dia Estadual de Solidariedade, também batizado de 10J Solidário.

A atividade foi marcada pelo drive thru da Solidariedade, em frente ao Sindicato dos Municipários (Simpa),  para a coleta de doações. Das 9h às 14h, foram arrecadadas 2 toneladas de alimentos, roupas, cobertores e colchonetes, além de 250 pães. Um terço dos produtos doados eram alimentos orgânicos, sem veneno.

Organizado pela Frente Brasil Popular RS, CUT-RS e Comitê Popular de Enfrentamento à covid-19, a atividade reafirmou as reivindicações: vacina no braço, comida no prato, auxílio emergencial de R$ 600, emprego e impeachment já.

“Este 10 de julho, foi também um dia de contraponto. Pois enquanto o presidente da República Jair Bolsonaro desfila de moto com seus simpatizantes em meio a mais de meio milhão de mortos da pandemia, os movimentos sociais, na via inversa, prestaram ajuda aos que foram desassistidos pelo Governo na pandemia”, explica Amarildo Cenci, presidente da CUT/RS.

Segundo ele, além “do número absurdo de óbitos evitáveis”, as políticas desenvolvidas pelo governo Bolsonaro deixaram um lastro negativo de desemprego e miséria. “Esse foi um dia de coleta de alimentos e distribuição de almoços comunitários em cozinhas que os movimentos sociais estão instalando nos bairros de Porto Alegre. Foram mais de mil almoços para a população de rua em um só dia”, relata.

Impeachment

“A luta se faz com solidariedade, com esperança e no propósito de tirar este genocida do poder. Trata-se de um governante corrupto, que tentou se beneficiar dos recursos que deveriam ser destinados à vacinação dos brasileiros, o que é vergonhosamente condenável de todos os pontos de vista. Ao presidente faltou vergonha cara e sobrou despudor diante do sofrimento das pessoas”, protesta o Amarildo .

Cozinhas comunitárias

Foram montadas quatro cozinhas comunitárias, que funcionaram no Simpa (Centro Histórico) e nos bairros Cruzeiro, Farrapos e Glória, na capital gaúcha. Segundo levantamento preliminar, foram distribuídas, juntas, mais de 1.000 quentinhas.

As quentinhas produzidas no Simpa foram levadas por 12 motoboys a moradores em situação de rua no centro da Capital. Cada entregador recebeu uma cesta básica de alimentos, que foram doadas por assentamentos da reforma agrária do MST.

MST – O MST doou também o arroz orgânico usado no preparo dessas quentinhas e para outras 23 cozinhas comunitárias na Região Metropolitana de Porto Alegre, contabilizando um total de 5 mil refeições distribuídas para trabalhadores e trabalhadoras em situação de vulnerabilidade social

As quentinhas produzidas no Simpa foram levadas por motoboys a moradores em situação de rua no centro da Capital. Cada entregador recebeu uma cesta básica de alimentos

Foto: CUT-RS/Divulgação

As quentinhas produzidas no Simpa foram levadas por motoboys a moradores em situação de rua no centro da Capital. Cada entregador recebeu uma cesta básica de alimentos.

Foto: CUT-RS/Divulgação

Avaliação

Na avaliação do presidente estadual da CUT/RS, “foi um dia muito especial”, pois muitos sindicatos participaram dessa iniciativa, que proporcionou ao trabalhador de carteira assinada estender a mão ao trabalhador que faz parte das populações mais vulneráveis.

“E, esta é uma visão que a classe trabalhadora precisa construir. Este projeto que a CUT desenvolve e que muitos sindicatos estão empenhados vai proseguir, porque a fome tem pressa e este problema do desemprego e da miséria não vai ser superado tão cedo em nosso país”, projeta Cenci.

“Diante de tamanha injustiça social é preciso mudanças igualmente profundas nas estruturas econômicas e sociais para que haja maior distribuição de renda e valorização do trabalho, porque só isso recolocará o Brasil no rumo do desenvolvimento e da justiça”, conclui Amarildo.

Participação dos professores

O Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS), por meio do projeto Professores Solidários, participou do Dia Estadual da Solidariedade com atividades em Porto Alegre, Santa Maria, Lajeado e Pelotas.

Na ocasião, o Sindicato recebeu doações de roupas, cobertores e alimentos não perecíveis.

Ao todo foram arrecadados 300 quilos de alimentos, que serão destinados às comunidades carentes, instituições e pessoas em situação de rua.

Foram arrecadados 300 quilos de alimentos, que serão destinados às comunidades carentes, instituições e pessoas em situação de rua

Foto: AssCom/Sinpro-RS

Arrecadação foi feita em Porto Alegre, Santa Maria, Lajeado e Pelotas

Foto: AssCom/Sinpro-RS

Contraponto

“O projeto “Professores Solidários” do Sinpro/RS se somou a outros movimentos sociais e sindicais no Dia da Solidariedade no combate à fome, ao desemprego e à todas as dificuldades enfrentadas pela população durante a pandemia. Isso  demonstra consciência social da catetoria e compromisso com a comunidade. Além disso, a atividade serviu de contraponto à motociata promovida no mesmo dia pelo presidente nas ruas da capital. Mobilização esta que apenas soma gastos e não contribui em nada com a sociedade”, contextualizou Jeferson Cunha, da direção Sinpro/RS.

DOAÇÕES – Ainda é possível fazer doações. Basta depositar qualquer valor na conta bancária (Banrisul 041; agência 0100; conta corrente 06.253.0242-2; CNPJ Sinpro/RS: 92.948.389/0001-10) do projeto Professores Solidários ou fazer um PIX (51 99733-7506).

O projeto já distribuiu mais de 700 cestas básicas para famílias em todo o Estado. Os que desejarem, também podem deixar suas doações de alimentos e roupas na Sede Estadual do Sindicato, em Porto Alegre (Av. João Pessoa, 919).

 

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