MOVIMENTO

Servidores da Corsan deflagram estado de greve contra privatização da estatal

Mais de 5 mil pessoas participaram do Grito pela Água, em defesa da Corsan pública, seguida de assembleia. Servidores podem paralisar a qualquer momento
Da Redação / Publicado em 28 de junho de 2022

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Servidores da Corsan deflagram estado de greve contra privatização da estatal

Foto: Tiago Silveira/Sindiágua/RS

Mobilização contra a privatização da Corsan começou às 11h com caminhada saindo da sede do Dmae em direção à sede da estatal

Foto: Tiago Silveira/Sindiágua/RS

O Grito pela Água, manifestação em defesa da Corsan pública, reuniu mais de 5 mil pessoas, entre servidores da estatal, vereadores, prefeitos e ativistas de movimentos sociais de diversas partes do estado nesta terça-feira, 28, em Porto Alegre.

A manifestação começou com uma marcha a partir da sede do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), no bairro Moinhos de Vento, em direção à Corsan, no Centro Histórico, e depois seguiu até a Assembleia Legislativa, onde foi realizada uma concentração. A mobilização contou com a participação dos ex-prefeitos de Porto Alegre João Dib (PDS), Raul Pont (PT) e José Fortunati (PDT) e de ativistas e lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Levante Popular da Juventude e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), entre outros.

O ato foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do RS (Sindiágua/RS), que realizaram assembleia após os protestos e deliberaram pelo estado de greve.

Os trabalhadores podem iniciar uma paralisação por tempo indeterminado a qualquer momento caso não sejam atendidas as demandas da categoria relacionadas às negociações com a estatal.

A venda da estatal de saneamento do RS foi anunciada pelo governo gaúcho para julho, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Na pauta dos trabalhadores, a manutenção da Corsan pública e a abertura, pelo governo do estado, das negociações do acordo coletivo de trabalho já aprovado. O movimento também é contra a privatização da água na capital gaúcha. A privatização do Dmae está na pauta da prefeitura de Porto Alegre.

Além da Corsan, Dmae na capital é alvo de privatização

O saneamento básico e a água públicos são um direito da população, lembrou o presidente do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Edson Zumar.

“Vimos recentemente no caso da CEEE Equatorial, o quanto a privatização pode tornar os serviços ineficientes e caros. Com a água será algo muito pior. Estamos mobilizando os colegas do saneamento como um todo, para que isto não aconteça. Que o prefeito Melo tenha a sensibilidade de ouvir a cidade e tomar a melhor decisão”, defendeu.

Foto: Tiago Silveira/ Sindiágua/RS

“Toda a sociedade gaúcha está mobilizada contra a privatização da água, e esta é uma luta suprapartidária”, ressaltou Arilson, do Sindiágua/RS

Foto: Tiago Silveira/ Sindiágua/RS

“Estamos na luta pela água pública. Uma empresa que comprar a Corsan, vai abocanhar com facilidade os departamentos municipais que hoje estão em dificuldade. E a Corsan também recebeu nossa pauta e não se manifestou. Toda a sociedade gaúcha está mobilizada contra a privatização da água, e esta é uma luta suprapartidária”, disse Arilson Wünsch, presidente do Sindiágua/RS.

O dirigente comemorou o resultado da mobilização. “Foi um ato histórico em defesa da água pública no estado e no país.

Em torno de 5 mil pessoas estiveram presentes nesse ato, funcionários da Corsan e da sociedade civil organizada, prefeitos, vereadores e entidades que defendem a água pública. Um grande ato democrático e de dignidade”.

“Hoje é o dia de luta para que a água e o saneamento sejam públicos. Nossa luta é contra toda uma política de desmonte dos serviços públicos, de desmonte daquilo que é público”, avaliou Amarildo Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS).

“Saneamento e água são vida, necessidade básica, essência do ser humano, e nós não podemos permitir que os interesses do capital dos especuladores tomem um bem público como é a água e o saneamento para depois cobrar mais caro e oferecer menos serviços e não remunerar os seus trabalhadores. Essa é uma luta de toda a classe trabalhadora”.

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