POLÍTICA

Justiça autoriza quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

Investigação apura movimentações financeiras atípicas nas contas de ex-assessor e de outros 88 servidores ligados ao senador do PSL, entre 2007 e 2018
Da Redação / Publicado em 14 de maio de 2019
Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz: esquema de divisão de salários, movimentações atípicas, contas-laranja e envolvimento com milícias

Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz: esquema de divisão de salários, movimentações atípicas, contas-laranja e envolvimento com milícias

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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) autorizou a quebra de sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. A decisão do juiz Flávio Nicolau, do dia 24 de abril, atende a um pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). Além do senador e seu ex-assessor, a quebra de sigilo bancário se estende à mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e uma empresa de propriedade do casal, a Bolsotini Chocolates e Café Ltda. As duas filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn, além da mulher dele, Márcia, também terão suas movimentações bancárias investigadas. As informações são do jornal O Globo. A quebra de sigilo bancário foi autorizada pelo judiciário no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2018.

O filho mais velho do presidente da República, Flávio passou a ser investigado depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentação financeira considerada atípica na conta corrente de Queiroz e apontou operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O documento revelou movimentação atípica de R$ 1,236 milhão na conta do ex-assessor do senador entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, incluindo depósitos e saques. De acordo com o Coaf, Queiroz fez saques em espécie no total de R$ 324.774, e teve R$ 41.930 em cheques compensados. Outros 88 funcionários ou ex-funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro, da época em que ele era deputado estadual no Rio de Janeiro, também terão seus dados bancários examinados. Entre eles estão Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, irmã e mãe do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como um dos líderes do Escritório do Crime, uma das principais milícias do Rio – suspeita do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e seu motorista, Anderson Gomes.

Exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro em outubro, Queiroz atuava como motorista e segurança do deputado. Era servidor público cadastrado da Assembleia Legislativa do Rio, com salário de R$ 8.517, e acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar. O documento foi anexado pelo Ministério Público Federal à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio. O MPF investiga um esquema de pagamento de propina a parlamentares para que apoiassem os interesses do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, condenado por corrupção, na Assembleia. Dez deputados estaduais já foram presos. Flávio não foi alvo da operação.

O relatório também identificou um depósito de Queiroz no valor de R$ 24 mil na conta bancária da primeira-dama Michelle Bolsonaro. À época, Bolsonaro afirmou que o valor se referia a um empréstimo feito a Queiroz. O ex-assessor trabalhou no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), eleito senador eleito pelo Rio de Janeiro em 2018.

NEGÓCIOS – Por duas vezes, o senador tentou impedir o prosseguimento das investigações do caso Queiroz, alegando quebra ilegal de sigilo bancário. Ele perdeu tanto no Supremo Tribunal Federal (STF) quanto no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Uma comunicação apresentada pelo Coaf sobre Flávio revela 48 depósitos sequenciais de R$ 2 mil em espécie em sua conta bancária de 9 de junho a 13 de julho. Flávio afirmou que esses valores se referem a uma parcela do pagamento que recebeu em dinheiro pela venda de um imóvel no período e que foram depositados por ele mesmo num caixa eletrônico. A versão foi confirmada pelo comprador, o atleta Fábio Guerra. A Folha de S. Paulo apurou que a escritura da transação, aponta, no entanto, uma divergência de datas e registra que o sinal foi pago meses antes. A outra comunicação é referente ao pagamento de um título bancário de R$ 1 milhão à CEF. O senador alegou que quitou um financiamento com o banco nesse valor naquele período, com recursos da mesma transação feita com o atleta, de acordo com documentos registrados em cartório.

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