SAÚDE

Gestores negam testagem ampla a profissionais de saúde

Após negativa de gestores públicos e dos hospitais em garantir testagem de profissionais da saúde, TRT4 encerra mediação que visava ampliar testes para estes profissionais
Da Redação / Publicado em 4 de setembro de 2020

Foto: CUTRS/Divulgação

Foto: CUTRS/Divulgação

De acordo com a CUT/RS, em publicação no seu site nesta sexta-feira, 4, a última reunião de mediação entre os representantes dos trabalhadores em saúde e os gestores, realizada na tarde da última quinta-feira, 3 de setembro, no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) não avançou em termos de maior testagem dos trabalhadores da saúde. “Demonstrou a irresponsabilidade e falta de sensibilidade de hospitais, governo do Estado e municípios, diante da alta contaminação que sofrem os profissionais que atendem a população, durante a tragédia da pandemia do coronavírus, que já causou mais de 3,5 mil mortes e 131 mil infectados no Rio Grande do Sul”, diz a nota.

Fruto da ação judicial movida pela CUT-RS e Federação dos Trabalhadores em Saúde do RS (Feessers), com o apoio de Sindicatos dos Trabalhadores da Saúde, Sindicato dos Enfermeiros (Sergs) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren), a mediação foi encerrada pela desembargadora do TRT-4, Ana Luiza Heineck Kruse. Ela considerou que não havia mais possibilidade “de evoluir na construção de uma proposta que pudesse melhorar a política de testagem dos empregados da saúde”.

Gestores se negam até mesmo a orientar hospitais

Sindicatos, CUT/RS e profissionais da saúde têm mantido mobilização em frente a hospitais e postos de pronto-atendimento

Foto: CUT-RS/ Divulgação

Sindicatos, CUT/RS e profissionais da saúde têm mantido mobilização em frente a hospitais e postos de pronto-atendimento

Foto: CUT-RS/ Divulgação

Os dirigentes sindicais aceitaram firmar um compromisso de orientação aos hospitais para que realizassem a testagem de todos os empregados sintomáticos e seus contatantes. No entanto, a proposta da desembargadora mais uma vez foi rejeitada pelos representantes patronais, que optaram por apenas orientar aos hospitais para que procedam as testagens nos sintomáticos. A Federação das Associações dos Municípios (Famurs) se comprometeu a atuar junto aos órgãos municipais, para que reforcem a testagem.

Os sindicalistas lamentaram a inflexibilidade dos gestores, a falta de sensibilidade e o descaso com os trabalhadores em saúde e, por extensão, da própria comunidade onde atuam. O vírus segue circulando e contaminando aqueles que não estão mantendo os cuidados adequados.

No caso específico da saúde, os trabalhadores não têm escolha. Diariamente ficam expostos à Covid-19, seja quando chegam ou quando atendem no trabalho. Da mesma forma, podem se contagiar os profissionais, que levam a contaminação para as suas casas, infectando familiares, amigos e pacientes, mantendo o ciclo da pandemia sempre em atividade.

Vidas em risco

Para o presidente da FeesseRS, Milton Kempfer, o desgaste das audiências serviu apenas para que os gestores mostrassem o quanto se importam com seus trabalhadores: zero por cento. “A irresponsabilidade e a falta de compromisso com os seus funcionários ficou escancarada durante as tentativas de um acordo simples e extremamente importante para garantir a vida dos trabalhadores, que estão na linha de frente no combate à pandemia e também dos contatantes”, protesta.

“É muita irresponsabilidade do setor patronal fingir que já testou a maioria dos trabalhadores, enquanto sabemos que as testagens são realizadas apenas com os sintomáticos e, além disso, a nossa ação é para que a testagem seja de qualidade, como a RT PCR, que apresenta o resultado mais confiável”, disse Milton.

Postura criminosa de gestores de saúde

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, afirmou ser uma completa irresponsabilidade e uma “postura criminosa dos gestores da saúde” ao tratar com descaso uma política de preservação e segurança no trabalho para garantir cuidado e proteção aos trabalhadores.“O combate à pandemia é uma guerra e os combatentes que se omitem ou não levam isso a sério podem ser enquadrados como criminosos”, alfinetou.

“Trata-se ainda de uma falta de reconhecimento e a CUT se empenhará em denunciar à sociedade gaúcha essa postura dos hospitais. Não vai passar barato. Vamos cobrar com toda a nossa energia, em todas as frentes jurídicas e políticas, essa falta de consideração e essa postura criminosa que expõe os trabalhadores da saúde e os abandona à própria sorte”, salientou Amarildo.

O presidente do Sindisaúde-RS, Júlio Jesien, lamentou a postura da patronal e a falta de atenção com a categoria. Para ele, “infelizmente a gente recebeu uma resposta que sequer imaginava, quando o empregador não se colocou sensível ao pedido de testagem dos trabalhadores em saúde”.

RS é campeão de contaminação entre profissionais da saúde

“Por mais que tenhamos levado conhecimentos técnicos e apresentado inúmeros indicadores de adoecimento dos trabalhadores, a gente não teve a compreensão da patronal, mesmo diante de um estado que hoje é o campeão de contaminação dentre os profissionais de saúde. É lamentável tudo isso, mas a gente segue lutando, pois quem sabe a justiça seja feita e se consiga uma decisão favorável”, destacou Júlio.

A presidente do Sindicato dos Enfermeiros observou que “a mediação, após meses de exaustivas rodadas, infelizmente resultou na falta de sensibilidade e de respeito pelos trabalhadores da saúde”.

Para Cláudia, “é inadmissível que, ao fim desse processo, os gestores tenham faltado com o respeito não só com os trabalhadores e as entidades que os representam, mas também com o judiciário que brilhantemente conduziu as negociações tentando um acordo”.

Também estiveram presentes o secretário de Saúde do Trabalhador da CUT-RS, Alfredo Gonçalves, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Vale dos Sinos, Andrei Rex, além de assessores jurídicos das entidades.

Os gestores foram representados pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (Fehosul), Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do RS, Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa), Federação das Associações dos Municípios do RS (Famurs) e as procuradoras do Estado, Andréia Über Espiñosa e Aline Fayh Paulitsch.

Ainda participou o procurador do Ministério Público do Trabalho, Paulo Eduardo Pinto de Queiroz.

Com informações da CUT-RS e FEESSERS

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