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Nº 057 | Ano 6 | Nov 2001
CULTURA

A Bienal é o que sobrou do Mercosul

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Foto: René Cabrales

Foto: René Cabrales

A tendência da atual Bienal é de conquistar um público maior do que em edições anteriores, não apenas pela gratuidade do ingresso, mas sobretudo por um evidente e crescente interesse das pessoas pelo evento. Um bom termômetro dos primeiros dias de Bienal foram as performances realizadas no Hospital Psiquiátrico São Pedro, que reuniram quase 10 mil pessoas. “Grande parte desse público não freqüenta o circuito habitual de arte, é um público novo que se dispõe a receber coisas novas, tem coragem de ver uma manifestação de arte contemporânea mesmo dentro de um espaço que muitas vezes gera medos e preconceitos, como é o caso do São Pedro,” analisa Ecléa Cattani, para quem o importante é a manutenção permanente dos espaços conquistados pela Bienal. “É preciso reparar nessa capacidade da Bienal de repensar um pouco a própria cidade. É preciso mais mobilização da população no sentido de que esses espaços sejam mantidos.”

Para a artista plástica Maria Tomaselli, o destaque da atual edição é a Cidade dos Contêineres. “É uma maravilha em termos de construção de proposta, Os elevadores tornaram a cidade acessível aos deficientes”, diz ela. Mas observa e se ressente da falta de uma poética maior nas obras. “São muitas revoltas, acusações, denúncias e tristezas. Mas, afinal, o mundo atual é isso,” constata. Para Maria Tomaselli, a Bienal tem importância como evento especialmente por ser “uma marca quase nostálgica”. “A Bienal é o que sobrou do Mercosul,” diz ela numa referência à deterioração econômica da região e dos planos de uma região sem fronteiras. “A Bienal permanece como lembrança de uma utopia.”

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