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Nº 136 | Ano 14 | Ago 2009
ECONOMIA

A expansão da General Motors no Rio Grande do Sul

Uma das faces da reestruturação produtiva internacional foi, e tem sido, a mudança de endereço da produção de muitos ramos da atividade industrial que encontrou nessa estratégia uma forma de assegurar padr
José Antônio Alonso

Uma das faces da reestruturação produtiva internacional foi, e tem sido, a mudança de endereço da produção de muitos ramos da atividade industrial que encontrou nessa estratégia uma forma de assegurar padrões mais elevados de competitividade e expansão. Nesse sentido, grande parte da cadeia automotiva, progressivamente, passou a dirigir seus projetos de expansão para países da periferia mundial que já tivessem ambientes industriais e mercados em escala compatível com as necessidades exigidas pelo setor.

Na América Latina, o Brasil é o país com melhores atributos nesse sentido, e no Brasil, o RS é um dos estados, juntamente com São Paulo, Paraná e Minas Gerais, que melhor atende aos requisitos desse ramo da indústria. Foi nessa conjuntura que o país e o estado assistiram, na segunda metade dos anos 1990, o maior leilão (festival) de incentivos e facilidades, desde o Plano de Metas do JK, a diversos ramos da indústria, mas principalmente ao setor automotivo. Depois de perder várias disputas (Fiat, Renault, Mercedes Benz), o Rio Grande do Sul “entrou de sola” na disputa pelo projeto da GM, fazendo a maior concessão da sua história a um grupo privado.

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Para o RS foi bom, porque a matriz industrial do estado não dispunha desse ramo de produção, tendo nesse caso aumentado a diversificação industrial, embora tenha pago elevado “pedágio” nessa empreitada. Além disso, a natureza e a escala desse complexo operam como um difusor de exigências tecnológicas, o que representa uma vantagem para a economia local.

Para a GM e seus sistemistas foi ótimo, porque encontrou terreno fértil em disponibilidades de mão-de-obra, boa tecnicamente e barata, além de um pacote de estímulos financeiros, tributários e de infraestrutura que nenhum outro setor jamais havia recebido no estado. Isso tudo assegurou a competitividade necessária para o sucesso do empreendimento, que foi ampliado em 2004 e agora prepara nova expansão.

Essa nova etapa exige um investimento de R$ 2 bilhões, sendo mais da metade (R$ 1,044 bilhão) financiado com poupança nacional (BNDES, BRDE e Banrisul) e a operação do projeto será desonerada do ICMS em 75% durante dez anos, mais os eventuais incentivos do IPI (federal) que asseguram à empresa condições excepcionalmente favoráveis numa situação de crise. Inegavelmente, é o melhor dos mundos, para uma companhia que passa por grandes dificuldades em seu país de origem.

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