Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 158 | Ano 17 | Out 2011
ENSINO PRIVADO
NEGOCIAÇÃO COLETIVA 2012

Pauta preliminar destaca trabalho extraclasse

Campanha Domingo de Greve ganhou repercussão nacional dando visibilidade ao excesso de trabalho realizado pelos professores do ensino privado fora da carga horária contratada
Domingo de Greve teve cobertura da Folha de S. Paulo

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Um dia após a Greve de Domingo, ocorrida em 2 de outubro, com repercussão nacional, o Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) encaminhou ao sindicato patronal (Sinepe/RS) pauta preliminar, antecipando sete pontos para as próximas negociações coletivas para a Convenção de Trabalho 2012. Dentre as reivindicações, o

Docentes começam a mudar cultura, diz Cenci

Foto: Igor Sperotto

Docentes começam a mudar cultura, diz Cenci

Foto: Igor Sperotto

estabelecimento de limites às atividades extraclasse, considerando a diversidade de tarefas, o volume de trabalho demandado e a destinação de 1/3 da carga horária dos professores para a realização das atividades extraclasse. “Antecipamos as principais reivindicações para que as demandas dos professores possam ser consideradas no planejamento das instituições, inclusive orçamentário, que ocorre neste período”, destaca Marcos Fuhr, diretor do Sinpro/RS.

Durante todo o mês de setembro, o Sindicato realizou a campanha Domingo de Greve, abrindo o debate entre os professores e levando à opinião pública uma realidade que não é percebida por quem não é da área: o excesso de trabalho extraclasse está ocupando as horas de lazer e até de descanso dos professores do ensino privado. “A repercussão da campanha na imprensa estadual e nacional, além das redes sociais e blogs, deu a dimensão da pertinência do assunto”, observa Fuhr. “Em vez de tentar desconstituir a manifestação dos professores, como fez ao declarar que seria um movimento político do Sinpro/RS, o sindicato patronal precisa discutir o mérito da reivindicação. Os professores estão sobrecarregados”.

Campanha mostrou grau de mobilização dos professores

Foto: Igor Sperotto

Campanha mostrou grau de mobilização dos professores

Foto: Igor Sperotto

Para Amarildo Cenci, diretor do Sinpro/RS, a campanha teve boa repercussão entre os docentes. “Acredito que deu início a uma mudança cultural entre os próprios professores. Professor precisa de tempo, condições de trabalho e de saúde”, ressalta.

A campanha Domingo de Greve recebeu o apoio formal das Associações de Docentes das Universidades de Passo Fundo (UPF), de Canoas (Ulbra) e de São Leopoldo (Unisinos); e chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Associação dos Magistrados do Trabalho da 4ª Região. O Sinpro/RS também solicitou audiência pública à Comissão de Educação da Assembleia Legislativa. Uma audiência pública do Plano Nacional de Educação, pré-agendada para o dia 19 de outubro na Câmara Federal, também discutirá este tema.

PASSIVO TRABALHISTA – Ainda neste mês, o Sinpro/RS disponibilizará aos professores uma planilha eletrônica para o registro do trabalho realizado fora da carga horária contratada, bem como o arquivamento de ordens de trabalho enviadas pelas instituições de ensino. “Essa ferramenta vai auxiliar os professores a constituir um histórico do trabalho extraclasse, de forma a possibilitar o fortalecimento de futuras reclamações trabalhistas”, acrescenta Cecília Farias, diretora do Sindicato.

Números da campanha

O auge da campanha ocorreu no dia 2 de outubro, data marcada para o Domingo de Greve. Em Porto Alegre e em cidades do interior, professores foram para os parques para rodas de chimarrão, brindados por um dia de sol.

Durante o mês de setembro, a campanha ganhou a adesão e repercussão na internet, especialmente nas redes sociais. O blog http://domingodegreve.com.br/blog/ contou com 5.751 visitas e a página no Facebook recebeu 38.173 publicações visualizadas.

Pauta preliminar

– Reposição da inflação com base no INPC acrescida de aumento real de salário;
– Aumento real de 10% nos pisos salariais de todos os níveis de ensino;
– Limitação do número de alunos por turma;
– Calendário escolar de 2012 com previsão de indisponibilidade dos professores nas duas últimas semanas de julho;
– Estabelecimento de limites às atividades extraclasse, considerando a diversidade de tarefas e o volume de trabalho demandado pelas instituições;
– Contratação de professores para o desenvolvimento das atividades extracurriculares;
– Destinação de 1/3 da carga horária dos professores para as atividades extraclasse.

Mobilização ganhou a adesão de amplos setores da sociedade e culminou com paralisação no dia 2 de outubro

Foto: Igor Sperotto

Mobilização ganhou a adesão de amplos setores da sociedade e culminou com paralisação no dia 2 de outubro

Foto: Igor Sperotto

 

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