Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 077 | Ano 8 | Nov 2003
NEI LISBOA

Lá vem o verão de novo, com seu séquito de panetones, insolações e sambas-enredo. E lá vamos nós, vítimas da pressão social praiana, tratar de arrumar umas feriazinhas na areia pra família com o que sobrar do cheque especial depois do fim de ano. Se bem que, com os juros baixando e a inflação sob controle, podemos considerar a hipótese de escapar da farofa daqui rumo ao frio civilizado, como atesta a visita ao Brasil de Juliette Delarue, da Oficina de Turismo de Courchevel, estação de esqui distante quatro horas de Paris pelo trem TGV. Por módicos dois mil euros a diária, ela propõe que você desça do trem direto para um hotel cinco estrelas com café da manhã. Mas, se preferir, também pode chegar a Courchevel de helicóptero, a partir de Lyon ou Genebra. O vôo custa mil euros e a aeronave leva até cinco pessoas – apenas com a bagagem de mão. “Tem quem alugue dois helicópteros, um só para as malas”, informa Juliette.

Obrigado, querida. Valeu essa dica importantérrima. Realmente uma pechincha. Mas vamos considerar aqui, só pro caso do leitor (ou da mala dele) enjoar em vôos de helicóptero, algumas alternativas tropicais que não dispensam charme e requinte:

1) Time-share em Arroio do Sal – Pacote familiar para até oito pessoas, sem traslado e city tour, com estadia em simpático condomínio de minilofts a trinta quadras do mar. Como oito não conseguem respirar ao mesmo tempo dentro de uma quitinete, a solução é o macharedo ir pro pagode até cinco da manhã. Por essa hora, as mulheres liberam espaço no apartamento e tomam o rumo da praia, com seus coq au faròfe na sacola, para dourar a pele durante o resto do dia ao esplendor da costa sub-caribenha.

2) Sauvage camping na Praia da Pinheira – Pacote econômico no litoral catarinense. Ainda não há vôos diretos, e se o ônibus também não for direto você vai iniciar suas férias com um revigorante enduro pedestre, carregando a barraca e o liquinho nas costas. Ambiente de efervescência artística, com manifestações espontâneas da cultura reggae durante o dia e a madrugada. Tente aproveitar pra dormir sempre que estiver boiando no mar. Clima instável, com prováveis trovoadas contínuas enquanto você estiver por lá e céu de brigadeiro assim que botar o pé no ônibus de volta.

3) Business-to-business em Arambaré – Salutar simbiose entre lazer e negócios. Com um pouco de imaginação e um puxadinho no barraco do cunhado, você ingressa no fascinante mundo do comércio de caipirinhas e pastéis de siri na orla da Lagoa dos Patos. Além de garantir o verão da família, passa a acumular uma renda extra e noções preciosas de pop management, hedge funds, mercado futuro e equilíbrio fiscal. Estatísticas provam que no máximo em 76 anos você estará apto a desembarcar do helicóptero em Courchevel livre de enjôos.

Pode levar um outro tanto pra bagagem também chegar, mas, ces’t la vie, nem todos os verões são perfeitos.

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