Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 099 | Ano 11 | Jan 2006
ELISA LUCINDA

São fêmeas e correm animadas pelas ruas entre o perigo dos carros.
São fêmeas e se ocorrem vitais e urbanas.
Existem agitadas, excitadas, ansiosas, assanhadas,
carinhosas e quase crianças ainda.
São meninas lindas!
Cada uma portando sua beleza e morando no Rio de Janeiro.
Flora é alta, garbosa, mas traz doçura, nobreza e humildade nos olhos verdes, moles e mel.
Uma coisa: aquela textura macia meio caramelada, meio ocre, meio sépia, meio mostarda na pele sobre a musculatura definida,
Flora é mesmo uma fêmea ajeitada.
Já Pérola é negra, magra, carente, bonita e bastarda,
é mais nervosa, mais desequilibrada, mais vira-lata,
imprevisível, os olhos mais tristes e trota meio de lado
exibindo o peito vistoso vestido de branco colete mui-to nobre,
parece um veludo brilhoso de escuridão.
Há um lado nela meio abandonado, meio pobre, meio sem-terra,
mas é uma figura interessante, tanto é que o rabo é que balança ela.
Pérola veio das mãos do Pablo,
Flora do Carlos.
Chegaram quase juntas na data daquele recente.
Ambas vieram a nós como presentes.
Sempre foram alegres, inocentes, analfabetas e inteligentes,
a gente conversa com elas e é o mesmo que fosse com gente.
Agora as duas e seus latidos, suas vozes, seus rosnados, seus alaridos
Sorriso s e cios deixaram o de janeiro e
foram morar só à beira do rio.
Foram para o reino de Itaúnas,
foram morar lá
foram morar no colo das dunas
foram viver no meu sonho
sob as ordens do mar.
Deixaram o caos da cidade,
tiveram a felicidade de, em vida,
à natureza retornar.
Flora e Pérola…
ai que inveja que eu tenho dessas cachorras.
Ai que inveja que eu tenho delas:
estão felizes, pacificadas pelas tardes e pelo poder da terra,
estão serenas as belas
ai que inveja que tem dessas fêmeas calmas e leves
esta cadela que escreve.

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