Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 101 | Ano 11 | Abr 2006
PALAVRA DE PROFESSOR

Paulo Ricardo Meira

Neste mês de março, quase três milhões de estudantes de todas as idades voltam aos bancos escolares. Boa parte deles, entretanto, crianças, merecedoras de uma atenção especial pelas mudanças que ocorrem nesse período após a calmaria das ruas pelas férias. As cidades retomam agora sua rotina normal de agitação, velocidade e fluxo de pessoas a pé, em coletivos, carroças, motos, bicicletas e automóveis.

Nesse novo ambiente, há algumas coisas que pais e professores deveriam aprender. E ensinar.

O risco de acidentes de trânsito aumenta na faixa dos oito aos nove anos de idade. Nesta fase a compreensão das crianças é diferente da dos adultos, e esses estudantes começam a sair das escolas sozinhos. Eles não têm a perfeita noção de quando podem ou não atravessar a rua, ou que podem causar um acidente.

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Arte: Rodrigo Vizzotto

Arte: Rodrigo Vizzotto

De acordo com as pesquisas do professor Reinier Rozestraten, palestrante em um congresso de educação para o trânsito promovido pelo Detran-RS, uma criança não é capaz de avaliar corretamente dimensões como o tempo, distância e velocidade. Seu campo visual é estreito. Vê somente o que está diante dela, e confunde tamanho e distância. Por ser baixa, a criança não vê o que está acima dos automóveis estacionados, não sendo também vista pelos motoristas. Ela tem que ter muito cuidado ao atravessar no meio de carros estacionados. Além disso, ela vê por contrastes: precisa de 4 segundos para distinguir se um carro está em movimento ou parado. Por causa do tamanho, um carro menor de passeio lhe parece mais longe que um caminhão.

Ao conversar com as crianças sobre trânsito, entenda que, para elas, vida e morte são uma coisa só, elas não crêem na morte. Para uma criança, vida e morte são brincadeiras e por isso ela não teme a morte. É melhor dizer que vai se machucar muito e que vai doer bastante em caso de um acidente.

A rua é para ela um lugar de brincar. O automóvel “parece gente”, e a passagem de pedestre, um lugar seguro. A criança pensa que nada pode lhe acontecer, principalmente perto dos pais, das babás, dos amigos, de sua casa ou da escola.

A criança sempre imita os adultos: se eles atravessam a rua, ela também acredita que pode. E se duas crianças estão juntas, de mãos dadas, ignoram o perigo. Uma criança sempre procura satisfazer suas próprias necessidades. Por exemplo, chegar aos pais ou aos amigos que estão do outro lado da rua.

Segure sempre firmemente a mão da criança ao atravessar uma rua, pois caso contrário ela poderá soltar-se e ficar indecisa ou assustada no meio da pista. Aguarde a vez de atravessar a rua sem descer da calçada.

Ensine que a rua não é lugar apropriado para brincadeiras. Insista que lugar de pedestre é na calçada, longe do meio-fio. Pequenos “toques” como esses podem ser uma lição de vida para nossas crianças.

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