Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 102 | Ano 11 | Mai 2006
CULTURA
PUBLICAÇÃO

Por Luis Gustavo Van Ondheusden

Professores que desejam publicar sua produção acadêmica sem depender das vontades ou exigências de uma grande editora, que em geral trabalha com tiragens mínimas e custos altos para a realidade de muitos autores, têm agora essa possibilidade. Lançado há pouco tempo, o serviço “Publique seu livro!” da Editora Armazém Digital, inclui publicação, divulgação, distribuição e comercialização, além de todos os cuidados na edição da obra, desde a inscrição da obra no International Book Number (ISBN), até o código de barras, capa, editoração, entre outros. A distribuição e comercialização das obras são feitas através da internet. Além disso, a editora divulga no seu portal (www.armazemdigital.com.br) um pequeno resumo e trecho da obra, para que as pessoas possam conhecer um pouco do livro.

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Foto: Tânia Meinerz

Foto: Tânia Meinerz

De acordo com o diretor da editora, Felipe Rangrab (foto), todo esse tipo de serviço já existe em muitos países, e no Brasil algumas editoras em São Paulo e no Rio de Janeiro já oferecem. “É uma economia de produção de livros, porque não depende da decisão da editora de publicar ou não o livro. As vendas só dependem da competência e do assunto que o autor escolhe”, explica. Uma pesquisa identificou que aproximadamente 60 a 80 mil autores estão sem editoras, e muitos deles estão nas Universidades. “A maioria das obras não são publicadas, ou porque as editoras acadêmicas não têm condições ou não atendem à demanda, ou porque as editoras comerciais não têm um real interesse nesse tipo de trabalho”, conclui o diretor.

Apesar de recente, esse formato já permitiu que o médico especialista em psiquiatria e professor da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (FFCMPA), Ruben de Souza Menezes, publicasse seu livroEsquizofrenia e Liberdade – Manicômios Judiciais, Reforma Psiquiátrica e a Era da Saúde Mental. Menezes acha que a forma de trabalho e da editoração das obras ajudou no sucesso dos trabalhos. “Ela permite a veiculação da obra sem burocracias e nenhuma exigência das grandes editoras, e o sistema de compra pela internet tende a crescer muito mais”, disse.

O livro, uma coletânea de textos, já foi premiado duas vezes: Prêmio Prof. Álvaro Rubim de Pinho em Psiquiatria Forense Edição 2002, da Associação Brasileira de Psiquiatria, e Prêmio de Inclusão Social – Saúde Mental categoria Defesa de Direitos Edição 2004. Em 2005, foram vendidos 200 exemplares, e para este ano já foram solicitadas mais 110 cópias. Menezes pretende, com a venda dos primeiros 100, reverter a verba para o Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), que cuida de criminosos com alguma doença mental.

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