Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 115| Ano 12 | Jul 2007
ELISA LUCINDA

Te espero no meu jardim,
mas não diga nada.
A hora é aquela combinada
e as flores já estão informadas
de que nem os beija-flores saberão.
Te espero no jardim, não fale nada.
A hora é aquela acertada
e as folhas já estão avisadas de que
os intrusos não saberão.
Preparo a terra,
faço serão,
espanto lagarta e formigão,
uso pistas falsas
pra enganar curiosos de ocasião.

Te espero no jardim, não pense nada.
A hora é aquela madrugada e
até as ervas já estão comunicadas
de que nem os ventos saberão.
Com a paciência de uma estação,
te espero no jardim.
Em conversa franca com a primavera,
tive certeza da validade da minha espera.
Conversa essa combinada em prosa com o verão.

Te espero no nosso jardim.
Chegarás sorrateiro e sem pressa entre os alecrins.
Beijarei sua boca.
E aí,
não mais falarei por mim.

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