Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 120 | Ano 12 | Dez 2007
ECONOMIA

José Antônio Alonso

Os grandes projetos florestais no estado têm ocupado lugar de destaque nos debates sobre desenvolvimento regional em nosso meio. As opiniões se dividem entre aqueles que defendem esses empreendimentos argumentando sobre as suas contribuições para a geração de renda e emprego, o que representaria um choque de desenvolvimento para áreas estagnadas do estado. Em tempos de escassez de investimentos, o anúncio da chegada de grandes blocos de capital em regiões estagnadas, com sua tecnologia moderna e métodos de gestão avançada, representa uma sedução irresistível para a sociedade local.

Há também aqueles que divergem desse ponto de vista argumentando, principalmente, que os danos ambientais causados por esses projetos são de tal monta que comprometem não só o equilíbrio ambiental, mas também a sustentabilidade do desenvolvimento econômico. Entre os atributos negativos dessas culturas são arrolados o caráter de monocultura, o exotismo das espécies e as exigências exercidas sobre o meio natural, principalmente em termos de quantidade de água. Na verdade, a questão ambiental que envolve esses projetos está longe de ser resolvida. O debate ainda mantém distantes as posições assumidas pelos diversos atores envolvidos.

Do ponto de vista da economia regional observa-se que os dois principais tipos de florestamento, pinus e eucalipto, tendem a se desenvolver em regiões distintas. No primeiro caso, a área preferencial tem sido os Campos de Cima da Serra. O pinus tem como principal objetivo a produção de madeira para móveis e outras finalidades, o que assegura uma elevada relação inter-setorial com a extensa cadeia de Madeira e Móveis em nosso estado. Já a preferência locacional do eucalipto tem recaído sobre os campos da Metade Sul, e tem como finalidade a produção de celulose, uma commodity muito valorizada no mercado internacional. Provavelmente, as relações inter-setoriais para a frente e para trás, nesse caso, serão menores do que no do pinus. Mesmo assim, o efeito multiplicador total (direto, indireto e efeito-renda) no emprego da silvicultura (plantio + manejo) é dos mais elevados da economia. Já a produção da celulose é realizada mediante processo industrial de capital intensivo, portanto, com baixa utilização de mão-de-obra. Este setor ocupa o 27° lugar no ranking dos multiplicadores de emprego de 44 setores da economia gaúcha (Matriz de Insumo Produto/FEE, 2003).

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