Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 134 | Ano 14 | Jun 2009
ENSINO PRIVADO
CEPA

O Extra Classe da continuidade à série iniciada no mês de março sobre a formação de Redes de Escolas no Ensino Básico e os problemas surgidos durante o período de transição ocorridos após as aquisições de escolas. Neste mês, nossa reportagem enfoca a Comunidade Evangélica Luterana de Porto Alegre (Cepa), que atinge, com suas nove escolas, cerca de 4, 5 mil alunos. Nos últimos dois anos, a Cepa adquiriu três escolas no estado, Colégio Cavalhada e Fátima, na capital, agora Pastor Dohms Zona Sul e Zona Norte, respectivamente, e a Escola Silva Fernandes, agora Pastor Dohms Torres/RS.

O presidente da Cepa falou ao jornal e concorda que a formação de redes é um cenário que vem se repetindo no Ensino Básico privado nos últimos anos. “A rede traz a possibilidade do fortalecimento mútuo, da otimização de custos e de fortalecimento de uma proposta pedagógica e de gestão”, afirmou Peter Friedrich Johannes Stampe. No entanto, de forma contraditória, ele diz que as escolas da Cepa não se reconhecem como particulares e, sim, comunitárias de gestão não-estatal, portanto, não praticam a compra de escolas e também não mantém uma rede.

“As escolas mantidas pela Cepa normalmente são resultado da vontade de uma comunidade religiosa que tem despertada a sua vocação na área da educação formal. Iniciar da estaca zero ou integrar uma instituição já existente, assumindo a sua mantença, é apenas uma questão de estratégia e de metodologia para o desenvolvimento do projeto educativo local”, explicou.

O presidente também informou que a instituição não tem a intenção de ampliar o número de escolas este ano, mas não descarta a possibilidade de “apoiar uma ou mais comunidades interessadas em implantar um projeto educativo que possa representar o cumprimento de sua missão no contexto em que se insere”.

ASSÉDIO – Professores, ouvidos pela reportagem, que atuavam em uma das escolas assumidas pela Cepa, agregadas ao Centro Educacional de Ensino Médio Pastor Dohms, em Porto Alegre, relataram situações de pressão psicológica e assédio moral durante a transição. Preferindo não se identificar, eles contam que, na ocasião da compra, em outubro de 2008, todos os docentes tiveram de passar por testes compostos de cem perguntas, elaboração de projetos, planos de aula e entrevista. “Disseram que o interesse deles era ficar com todos os professores e que o processo era apenas para nos conhecer melhor. Mas nunca tivemos um retorno sobre os testes”, afirmou uma professora demitida justamente após os questionários.

INTRANQUILIDADE – Segundo a diretora do Sinpro/RS, Cecília Farias, o aumento do número de escolas da rede, como no caso do Pastor Dohms, pode ser avaliado como um benefício para a comunidade escolar que vê revitalizada a sua escola. No entanto, pondera que o período de transição entre a antiga mantenedora e a Cepa não tem sido tranquilo. “Os professores relatam que depois de se criar uma expectativa de permanência na escola, na troca de mantenedora, são surpreendentemente afastados, sem uma explicação plausível. Além disso, o valor da hora-aula pago nas Unidades desse mesmo Centro podem variar 47%”, esclarece Cecília.

CLIENTELISMO – Ainda segundo ex-professores, a família Vitória, ex-dona que permanece no quadro funcional de uma das escolas juntamente com o pessoal da Rede Dohms, pressionou para que não houvesse recuperações ou reprovações. “Não duvido que tenha sido demitida por me recusar a aprovar alunos sem rendimento comprovado desde o começo do ano letivo, e com os devidos encaminhamentos ao serviço de orientação educacional. Soube que pelo menos dois alunos reprovados no conselho final, que continuaram na escola, foram avançados pela nova coordenação pedagógica”, conta a docente. Uma antiga coordenadora também teria sido demitida por recusar-se a aceitar esse tipo de situação.

JUSTIFICATIVA – O presidente Stampe confirma que quando assume a mantença de uma instituição que já está em funcionamento é realizada uma avaliação de todos os professores e funcionários. “Em decorrência desses processos avaliativos, há os que permanecem e os que não permanecem. A política é evitar trocas e dispensas desnecessárias”, destacou.

Rede de Escolas da Cepa
 Centro de Ensino Médio Pastor Dohms, constituído de sete unidades de ensino: Higienópolis (1.540 alunos); Lindóia (350 alunos); Zona Sul (343 alunos); Zona Norte (420 alunos); Camaquã/RS (564 alunos);Capão da Canoa/RS (262 alunos) e Torres/RS (161 alunos) = total de 3.640 alunos.

 Colégio Sinodal do Salvador – Porto Alegre: 567 alunos;

 Centro Sinodal de Ensino Médio do Litoral Norte – Tramandaí/RS: 298 alunos.

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