Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 137 | Ano 14 | Set 2009
PALAVRA DE PROFESSOR
PALAVRAS DE PROFESSOR

Por Geni V. Moura da Costa

Vivemos em uma época de amplas reflexões sobre o crescimento do ser humano em seu contexto individual, social, espiritual, cognitivo e físico. Com a globalização, as fronteiras vão sendo ampliadas de forma muito rápida, impondo a todos os níveis sociais o convívio com uma diversidade política, racial, econômica, religiosa e linguística que há poucos anos não existia. Nestas condições, é realmente um desafio para o educador preparar seus alunos para viver – e não só sobreviver – em sociedades cada vez mais complexas.

O que vimos nas últimas décadas, no entanto, é uma queda significativa e generalizada na qualidade de ensino em todos os níveis. Obviamente, não podemos desconsiderar os graves problemas econômicos que atravessam todas as classes no país, especialmente a dos profissionais de ensino. São frequentes os movimentos reivindicatórios cujos acordos são habitualmente mal negociados ou adiados. Mas a proposta deste espaço é promover uma parada para a reflexão sobre o verdadeiro compromisso do educador, principalmente o que se dedica às classes carentes, que contam com a escola como única instituição estruturada para auxiliá-los.

Sob que olhar as questões educacionais estão sendo debatidas no momento?

O educador deve estar sempre atualizado e atento ao contexto social, político e econômico para que possa contribuir de forma mais eficaz no crescimento pessoal dos discentes. Mas questões financeiras e políticas não podem estar à frente do fator humano. Uma orientação holística permite a formação de cidadãos com potencial para conduzir uma vida – individual e social – mais feliz. Em educação, qualquer ação, por menor que pareça ser, reflete significativamente no futuro das pessoas, variando apenas a forma e a intensidade com que reagirá em sua formação.

Os aprendentes de hoje precisam ser capazes de pensar, comunicar-se e conviver em um mercado que se reinventa a cada novo dia. A nós, educadores, compete direcionar esforços para agregar a formação de nossos alunos, valores que realmente os ajudem a crescer, e não apenas conhecimentos teóricos. Infelizmente, a maioria não traz “de casa” características importantes como solidariedade, respeito às diferenças individuais, auto-estima elevada, criatividade, capacidade de resolver conflitos de forma positiva e habilidades interpessoais cooperativas.

Devemos lembrar também que a prática da educação é uma troca: permite que estejamos em um estado constante de aprendizado. Educar é uma tarefa importante e indispensável, praticada desde os primórdios da humanidade e que, pela dinamicidade que tem adquirido nos últimos anos, deve sempre ser objetivo de estudos e reflexões de toda a sociedade.

A docência, quando exercida como uma profissão, não será relegada a um simples trabalho ou fonte de renda. Quando envolve amor, responsabilidade e consciência é, acima de tudo, uma arte. Sem dúvida uma das mais difíceis artes, pois vai além do talento; exige maestria para “harmonizar mentes e corpos”. Sua obra não é para ser exposta simplesmente; é para ser sentida e “plantada” em cada indivíduo. Arte difícil, mas extremamente gratificante.

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