Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 140 | Ano 14 | Dez 2009
ENSINO PRIVADO

O texto da lei se limita a proibir que os aparelhos estejam ligados durante as aulas, deixando a cargo das instituições prever regras e punições no caso de descumprimento. Para a doutora em Educação da PUCRS, Helena Sporleder Côrtes, é preciso impor limites e isto passa pela crise de valores vivida pela escola e pelas famílias. “A escola tem que partir do princípio de que se existe uma lei ela deve ser cumprida.

Gestores e professores devem sentar e definir como ela será cumprida de acordo com as características da instituição. O professor precisa desse respaldo em sala de aula e o aluno precisa desse limite”, explica Helena. Para a educadora, a escola não pode se omitir de fazer essa intervenção pedagógica e deve estar aberta para discutir todos os assuntos. Conforme a educadora, o limite pode começar em casa, com os pais não permitindo que o celular seja utilizando durante as refeições, por exemplo.

Professores sem respaldo
O Sinpro/RS tem recebido e acompanhado casos de escolas da rede privada, prioritariamente de Educação Básica, em que os professores não estão sendo amparados pelas direções para o cumprimento da lei. O Extra Classe conversou com alguns docentes que relataram o crescente uso dos telefones em aula, seja para falar, mandar mensagens, tirar fotos, filmar e até mesmo entrar na internet. “Os professores que nos procuram relatam situações constrangedoras em relação ao mau uso do aparelho e o quanto esse fato prejudica o desenvolvimento das atividades pedagógicas. Os docentes que vivenciam esses problemas devem procurar o Sinpro/RS, que está preparado para acolher os professores a fim de buscar a solução para os mesmos”, afirma Cecília Farias, diretora do Sindicato.

Em uma escola de Porto Alegre, uma professora foi fotografada enquanto estava abaixada sobre uma classe explicando um ponto da matéria para um aluno. Sua foto foi para um site de relacionamento e recebeu diversos comentários maldosos. A professora informou a direção da escola por email, solicitando que alguma medida fosse tomada. “Fiz por email para ficar registrado. Mesmo não aparecendo meu rosto nem meu nome, quem me conhece saberia identificar. Eu não vi o momento em que a foto foi tirada”, conta ela. O aluno foi advertido pela direção da escola junto aos pais. A foto foi retirada da internet.

Em outro caso, no entanto, os alunos foram mais longe. Após tirar uma foto da professora explicando uma matéria no quadro, foi feita uma montagem ofensiva. A foto também foi para a internet junto a outra em que aparecia um livro didático utilizado pela professora. Além dos comentários, que citavam seu nome, alunos insinuaram a má utilização do livro. “Eles usam muito o celular em sala de aula e os aparelhos têm cada vez mais funcionalidades. O problema é que não tem nenhuma forma de punição para isso e eles sabem”, afirma a professora. Neste caso, as fotos foram retiradas pelos alunos e a professora preferiu não buscar reparações legais. As identidades das escolas e dos docentes foram preservadas.

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