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Nº 167 | Ano 17 | Set 2012
CULTURA

Eventos promovem o livro e a leitura, mas dados sobre o perfil do leitor gaúcho permanecem desatualizados
Por José Weis
Festa da Leitura, no Mercado Público, colocou o livro ao lado de outros gêneros de primeira necessidade

Foto: Igor Sperotto

Festa da Leitura, no Mercado Público, colocou o livro ao lado de outros gêneros de primeira necessidade

Foto: Igor Sperotto

O mercado livreiro brasileiro vive um momento diferenciado. As editoras aumentam suas tiragens para atender a demanda de eventos os mais variados como feiras, festas e bienais que se abastecem de livros. No entanto, pesquisas apontam que não há um acréscimo, na mesma proporção, nos índices de leitura. Afinal, quem está lendo? E o que se lê? Os números e os livros nem sempre realizam uma boa equação. Em março último, foram divulgados registros em âmbito nacional demonstrando que o brasileiro está lendo menos. É isso que revela a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro. De acordo com o levantamento, os brasileiros considerados leitores, ou seja, – aqueles que leram ao menos um livro nos três meses que antecederam a pesquisa – caiu de 95,6 milhões identificados, em 2007, para 88,2 milhões, em 2011. O objetivo é detalhar a intensidade, forma, motivação e condições de leitura da população brasileira. Apesar do Instituto Pró-Livro ter prometido a editores e entidades no estado a divulgação de um recorte regional do estudo, até o fechamento desta edição ainda não havia sido divulgada ou repassada à Câmara do Livro.

De acordo com a pesquisa geral, a região brasileira que teve a melhor média de leitura foi a Centro-Oeste, com 2,12 exemplares. As demais regiões do Brasil mantiveram-se praticamente no mesmo patamar apontado pela edição em 2007. O Sudeste registrou 1,84 livros, o Sul 1,68 e o Norte 1,51. Ou seja, o público gaúcho não está entre os que mais leem.

Jô Ribes, chefe da assessoria de imprensa do Pró-Livro, informa que, pela demanda de informações, a próxima edição da pesquisa Retrato da Leitura será de forma segmentada, estado por estado brasileiro.
Por isso, a Câmara Riograndense do Livro diz que a pesquisa do Pró-Livro deveria ser mais específica. Jussara Rodrigues, assessora administrativa da CRL, observa que os números não fecham com as pesquisas realizadas pela própria Câmara, em 2006 e 2007. “Não poderia haver uma involução, na pesquisa nacional tinha perguntas diferentes das que constavam na enquete promovida pela Câmara Riograndense”, observa.

Festa para a leitura

Na primeira semana de julho, a Associação dos Editores promoveu a I Festa da Leitura, no Mercado Público de Porto Alegre. Entre as diversas mercadoSperottorias que a população encontra para o seu dia a dia no Mercado Público, lá estava também o livro, junto com os mantimentos essenciais da cesta básica. “Na Festa da Leitura, o Clube conseguiu reunir, em um mesmo espaço, as diversas instâncias de governo e da comunidade, e assim o povo aproveitou e conseguimos fazer uma singela homenagem à leitura”, comemora Clô Barcellos, vice–presidente da entidade promotora. Foram vendidos mais de 1,5 mil livros. “Foi uma forma de unir forças e dar uma maior contribuição da Associação para a sociedade”, relata Clô, que tem entre seus objetivos o incentivo à leitura e a qualificação das editoras gaúchas. A Associação dos Editores detectou alguns assuntos sobre os quais a população quer ler mais. “Descobrimos, durante aFesta da Leitura, que há carência de livros sobre a cultura negra aqui no estado”, exemplifica.

Durante a Festa de Leitura, o secretário Luiz Antônio de Assis Brasil anunciou um edital de modernização dessas entidades, de mais de R$ 3 milhões. Com isso serão beneficiadas 125 bibliotecas públicas por todo o estado.

O que se lê

Levantamento feito pela Associação Nacional de Livrarias (ANL) e publicado em junho, os números indicam que as categorias de leitura que mais cresceram em vendas no ano passado foram: infanto-juvenil, literatura estrangeira, autoajuda e esotéricos, literatura brasileira e livros acadêmicos de ciências humanas e sociais. Em relação aos tipos de leituras mais procurados, a pesquisa da ANL apurou o seguinte: em primeiro lugar, a literatura estrangeira, seguida de infanto-juvenil; em terceiro, os livros acadêmicos, em quarto, os de autoajuda e esotéricos e no quinto lugar os livros didáticos. O livro de literatura ainda está alta mesmo com a concorrência de outras plataformas.

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