Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 169 | Ano 17 | Nov 2012
FRAGA

Fraga

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Ilustração: Rafael Sica

Ilustração: Rafael Sica

Durante nove meses a gente aprende a respirar em meio líquido. Depois, por noventa ou mais anos só se aprende a segurar a respiração sob água.

Por necessidade de novos horizontes, aprendemos a nos virar no berço. Mais tarde, em meio a angústias maiores e insônias piores, aprendemos a nos revirar na cama.

Todos aprendem a comer de tudo; nem todos aprendem a comer de boca fechada.

Antes mesmo de aprender a usar o bestunto, a humanidade já sabe usar o instinto. Depois descobre que o bestunto é o equipamento menos instintivo que existe.

De todas as conquistas humanas que começam com o aprendizado do bê-a-bá, a preferida das multidões parece ser o blablabla.

Com a experiência aprendi uma porção de coisas. Com a inexperiência, porém, aprendi o dobro: duas porções de coisas.

Aprenda com as mulheres: a intuição feminina faz acontecer o que imagina.
Na escola aprendemos que a Terra gira em torno do Sol. Lição inútil: a maioria acha que o mundo gira em torno do seu ego.

As pessoas aprendem trocentas posições do Kama Sutra para chegar ao prazer, que são as mesmas que levam ao sono.

Antigamente, em quase todas as profissões se começava como aprendiz. Atualmente se termina quase todas de igual maneira.

Tropeçar é um aprendizado que dura a vida inteira, se o indivíduo se dedicar bastante.

Das duas, uma: ou se aprende a cozinhar ou se aprende a selecionar bons restaurantes.

A pessoa só passa a dominar a arte da insinuação depois de muitos tapas na cara. A arte de ser direto se aprende com outros tipos de golpes pelo corpo todo.

Ainda é tempo: aprenda a respeitar os mais velhos, sobretudo os velhos que se dão ao respeito.

De nada adianta tentar aprender a lidar com o dinheiro. Porque o dinheiro lida como bem entende com qualquer um.

“Primeiro, aprenda todas as regras; depois, quebre algumas”. Se inverter, quebra a cara.

É importante aprender pelo menos uma língua estrangeira. Mas muito mais importante é não desaprender a língua materna.

A dor ensina a gemer, exceto aos hipocondríacos, que são autodidatas.
Educação é um longo aprendizado. Mas pode ser encurtado para apenas quatro expressões: “Com licença”, “Por favor”, “Obrigado” e “Me desculpe”.

Por mais que aprendam aritmética ou matemática superior, ainda é raro encontrar quem saiba repartir.
A gente aprende e esquece, aprende e esquece, aprende e esquece, até que um dia só esquece.

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