Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 169 | Ano 17 | Nov 2012
PALAVRA DE PROFESSOR

Por José Leonardo Annunziato Ruivo*

É uma pergunta constante o motivo pelo qual as pessoas devem estudar Filosofia, principalmente quando se trata da Educação Básica. Muito se fala sobre isso: em uma pesquisa rápida na internet encontramos uma diversidade de respostas tão grande quanto aquelas que buscam determinar o que é Filosofia – ou como se costuma interpretar uma famosa passagem de Kant (“Não se ensina Filosofia, mas a filosofar”). Pensar sobre a natureza da Filosofia já é filosofar.

Em termos mais práticos, percebe-se que no Ensino Médio o valor das disciplinas está diretamente associado ao que elas podem oferecer para o ingresso em um curso universitário, seja via Enem ou vestibular. Nessa linha, o caso da Filosofia parece ser bastante problemático, já que no Rio Grande do Sul só a Universidade Federal de Santa Maria cobra essa disciplina no exame de ingresso. E, em termos de Enem, a Filosofia tem um valor secundário frente à Geografia ou História.

Contudo, no blogue do filósofo Stephen Law vemos várias razões para se estudar Filosofia e, dentre elas, o surpreendente são os números: estudantes de Filosofia em países de língua inglesa possuem um altíssimo ranking em testes, superando Física e Matemática no que tange ao pensamento quantitativo e superando a Língua Inglesa na parte escrita. Penso que isso mostra a importância capital dessa disciplina na redação do Enem. É claro que a matriz de competências dessa prova atribui peso à Língua Portuguesa quando cobra o Domínio da Língua Culta (Competência I). Mas em todas as outras Competências, o estudo da Filosofia é fundamental. Compreender qual é o tema, diferenciando-o do assunto (Competência II) passa por saber interpretar que “assunto” refere-se a um tópico amplo (como liberdade de expressão, por exemplo) e que “tema” refere-se a uma delimitação do “assunto” (como o papel da liberdade de expressão na construção de uma sociedade mais justa, seguindo o exemplo).

Já nas Competências III e IV, sem um estudo de argumentação (Lógica), o estudante terá muito mais dificuldade em atingir uma boa pontuação porque precisa construir, de modo consciente, um texto coeso e coerente. Na Competência V, que exige do estudante uma proposta de solução para o problema, também a Ética e a Filosofia Política têm um papel importante. Em suma, construir um texto dissertativo-argumentativo, como pede a redação do Enem, será muito mais fácil se os estudantes tiverem boas aulas de Filosofia que privilegiem a argumentação e o pensamento sobre o discurso.

*Licenciado em Filosofia pela Ufrgs, mestrando em Filosofia pela PUCRS e integrante da equipe do Curso de Formação de Professores de Filosofia do Ensino Médio do RS (Ufrgs).

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