Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 178 | Ano 18 | Out 2013
ESPECIAL
ARTIGO

É chegada a hora de o professor pensar nos seus próprios limites
Por Cecília Farias*

Um dos conhecimentos trabalhados na escola é a importância de os alunos agirem dentro de determinados limites, respeitando o regramento social que garante um convívio saudável entre os grupos sociais. A máxima o meu limite vai até onde começa o do outro é referida pelos professores que têm redobrado trabalho em razão de os limites sociais dos alunos não serem, muitas vezes, valores construídos na família.

A vida atribulada pelas inúmeras tarefas educacionais, que ficam cada vez mais por conta dos professores, e a “obrigação” de cumpri-las no tempo exíguo estabelecido pelas instituições, afastam o professor da reflexão sobre os seus próprios limites.

Além disso, existe o temor de que, ao não atender as demandas crescentes das instituições, poderão diminuir o seu prestígio e, consequentemente, serem dispensados da instituição. Por entenderem que direções e coordenações normalmente se pautam pelas múltiplas exigências aos docentes, acabam aceitando tarefas muito complexas para o tempo estabelecido. Muito frequentemente, nem tentam argumentar sobre a dificuldade de desempenhar a tarefa imposta no tempo determinado e, muito menos, sobre a pertinência de determinado trabalho ser desenvolvido por professor e não por outros profissionais da instituição.

A consequência de toda essa sobrecarga de trabalho é o adoecimento do professor. O desgaste provocado pelas tarefas profissionais estão entre as principais causas do estresse. Como consequência, intensificaram-se o aparecimento de dores musculares, a ansiedade, a angústia e o cansaço. E o pior, acabam trabalhando doentes, porque na instituição privada a falta ao trabalho é “falta grave”.

É chegada a hora de o professor pensar nos seus próprios limites, reagindo contra deveres que lhe são impostos, contra os constrangimentos sofridos na instituição, o acúmulo de trabalho, às atitudes assediosas dos superiores, ao cansaço, à falta de respeito. O professor precisa dizer sim a uma vida em que a realização profissional e pessoal o estimulem ao lazer, à cultura, à criatividade, ao convívio com seus familiares e amigos, ao investimento no constante crescimento pessoal, à sua própria vida.

*Diretora do Sinpro/RS, conselheira do CEEd

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