EDUCAÇÃO

CNPq pode parar por falta de recursos

Déficit previsto para esse ano torna impossível cumprir os compromissos já assumidos com os milhares de bolsistas que fazem pesquisa, assinalam coordenadores de Programas de Pós Graduação
Por Marcelo Menna Barreto / Publicado em 28 de agosto de 2019
Pesquisas brasileiras ameadas por corte orçamentário

Foto: Reprodução YouTube/CNPq

“Se a partir do mês de setembro, como projeta o governo Bolsonaro, os mais de 80 mil pesquisadores financiados pelo CNPq deixarem de receber suas bolsas, graves implicações pessoais e profissionais colocarão o Brasil no risco de desperdiçar um recurso crucial para a construção da prosperidade no século XXI: a inteligência e o talento criativo de suas jovens gerações”, destaca manifesto entregue ao Congresso Nacional

Foto: Reprodução YouTube/CNPq

Coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em Astronomia e Física de todo o Brasil encaminharam nesta terça-feira, 27, ao Senado e à Câmara dos Deputados carta onde manifestam sua “grande preocupação com a situação orçamentária do  Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Déficit previsto para esse ano, segundo o manifesto, torna impossível “cumprir os compromissos já assumidos” com os milhares de bolsistas que fazem a ciência nacional. Segundo um importante acadêmico que preferiu falar anonimamente, a situação está crítica e o apelo direto ao Congresso Nacional, de fato, significa a desistência de focar esforços no Executivo que tem mostrado grande insensibilidade para as causas da educação e da ciência no país.

No manifesto, os signatários dizem entender o “o grave momento por que passa a economia brasileira e as restrições que isso implica sobre o orçamento da União”. No entanto lembram que se a partir do mês de setembro, como projeta o governo Bolsonaro, os mais de 80 mil pesquisadores financiados pelo CNPq deixarem de receber suas bolsas, graves implicações pessoais e profissionais colocarão o Brasil no risco “de desperdiçar um recurso crucial para a construção da prosperidade no século XXI: a inteligência e o talento criativo de suas jovens gerações”.

O documento lembra que o “estágio avançado do sistema brasileiro de pesquisa e pós-graduação é fruto, destacadamente, de investimentos e de esforços empreendidos pelo CNPq, ao longo de mais de seis décadas” e que “apesar de vários alertas já emitidos pela comunidade científica nacional e internacional”, o seu orçamento para 2019 ainda possui um déficit de R$ 330 milhões. “É impossível cumprir os compromissos já assumidos”, destacam os coordenadores de pós-graduação ao lembrar ainda que o “trabalho de um enorme contingente de cientistas, professores, estudantes e servidores, independentemente de preferências partidárias ou ideológicas” pode ser jogado fora.

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