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Morre no Rio cientista político Wanderley Guilherme dos Santos

Referência bibliográfica nos meios acadêmicos e um dos mais influentes cientistas políticos do país, Santos antecipou em livro o golpe de 1964 que derrubou João Goulart
Por Gilson Camargo / Publicado em 26 de outubro de 2019
Cientista político, escritor e professor aposentado, Santos deixou livro inédito que desvenda as últimas eleições presidenciais no país

Foto: Marcelo Carnaval/ Divulgação

Cientista político, escritor e professor aposentado, Santos deixou livro inédito que desvenda as últimas eleições presidenciais no país

Foto: Marcelo Carnaval/ Divulgação

Morreu na madrugada deste sábado, 26, no Rio de Janeiro, o cientista político, escritor e professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj), Wanderley Guilherme dos Santos. Ele tinha 84 anos e estava hospitalizado desde a última quinta-feira em virtude de uma pneumonia.

Nascido em 1935, graduou-se em filosofia pela Universidade do Brasil, atual UFRJ, doutorou-se em Ciência Política pela Universidade Stanford (EUA), presidiu a Fundação Casa de Rui Barbosa, autarquia do Ministério da Cultura, entre 2011 e 2012, e integrou o Conselho de Orientação do Ipea. Santos foi fundador do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj, atualmente Iesp-Uerj). Era aposentado pela Ufrj, universidade na qual lecionou democracia e teoria política por mais de duas décadas.

Referência bibliográfica nas universidades e uma das mais relevantes vozes em defesa da Constituição e do Estado democrático de Direito, Santos era um dos mais importantes cientistas políticos do país. Em 2016, após o golpe que destituiu a ex-presidente Dilma Rousseff da presidência, Santos alertou em entrevista ao Extra Classe que o país mergulharia na insegurança jurídica daí em diante: “As consequências estão sendo inevitáveis: os advogados e legisladores não tomam as leis vigentes nem decisões anteriores da própria Corte como antecedentes mais ou menos seguros do que virá a ocorrer em decisões posteriores em matérias da mesma natureza. Uma instituição destinada a reduzir a taxa de imprevisibilidade da vida social, o STF, transmuta-se, ele mesmo, em fonte de aleatoriedade”.

Aos 29 anos, escreveu Quem vai dar o golpe no Brasil, preconizando o golpe militar que destituiu Jango e mergulhou o país nos anos de chumbo

Foto: Rede Brasil Atual/ Reprodução

Aos 29 anos, escreveu Quem vai dar o golpe no Brasil, preconizando o golpe militar que destituiu Jango e mergulhou o país nos anos de chumbo

Foto: Rede Brasil Atual/ Reprodução

Aos 29 anos, escreveu Quem vai dar o golpe no Brasil (Civilização Brasileira, 1962) livro que preconizou o golpe de Estado ao denunciar as manobras que dois anos depois culminariam com a queda do presidente João Goulart.

Autor de trinta livros, que se somam ao seu extenso acervo de obras acadêmicas, um dos mais renomados cientistas políticos da atualidade. Escreveu Paradoxos do liberalismo: teoria e históriaDécadas de espanto e uma apologia democrática (Revan, 1999), Cálculo do conflito: estabilidade e crise na política brasileira (FGV, 2003), O ex-Leviatã brasileiro: do voto disperso ao clientelismo concentrado (Civilização, 2006) e Horizonte do desejo – Instabilidade, fracasso coletivo e inércia social (FGV, 2007), Sessenta e quatro: anatomia da crise (Vertice, 1986), Cidadania e justiça: a política social na ordem brasileira (Campos, 1979). Sua mais recente obra ainda é inédita: um livro que desvenda a eleição de Jair Bolsonaro e deve ser publicada editora Topbooks.

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