JUSTIÇA

Polícia Federal prende Sara Winter e mais cinco por atentado às instituições

Os mandados de prisão foram pedidos pelo vice-procurador da República Humberto Jacques Medeiros e autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes
Por Marcelo Menna Barreto / Publicado em 15 de junho de 2020
Sara Winter usa nome fantasia homônimo ao de uma socialite britânica nazista que atuou dos anos 1920 até o final da segunda Guerra na Europa

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Sara Winter usa nome fantasia homônimo ao de uma socialite britânica nazista que atuou dos anos 1920 até o final da segunda Guerra na Europa

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A militante de extrema-direita Sara Winter foi presa às 7 horas da manhã dessa segunda-feira, 15, pela Superintendência da Polícia Federal (PF) de Brasília.

Ela comanda o chamado grupo 300 pelo Brasil que teve o seu acampamento na Esplanada dos Ministérios dispersado nesse sábado, 13, pela Polícia Militar (PM) do Distrito Federal. A PF ainda está à procura de outros cinco líderes do movimento que chegou a assumir que portava armas.

Os mandados de prisão foram pedidos pelo vice-procurador da República Humberto Jacques Medeiros e autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Além do inquérito sobre fake news contra o STF, Moraes foi encarregado pela corte para presidir os procedimentos que estão investigando os recentes movimentos antidemocráticos que ocorrem no país.

Quem é Sara Winter

Sara Fernanda Giromini, o verdadeiro nome de Sara Winter, candidata não eleita à deputada federal pelo DEM do Rio de Janeiro nas últimas eleições, foi expulsa pela agremiação no último dia 2 de junho por “descumprimento dos deveres éticos previstos estatutariamente”.

A ativista está sob os holofotes dos dois inquéritos sob os cuidados de Moraes. Em 27 de maio ela esteve na lista de 29 pessoas que tiveram busca e apreensão decretada para a coleta de informações para as investigações do que apura Fake News, discursos de ódio e ameaças aos integrantes do STF e suas famílias.

Na ocasião, entre ativistas bolsonaristas, o ex-deputado Roberto Jefferson e o empresário Luciano Hang, sob quem paira suspeitas de financiamento das ações que tem o objetivo de dar suporte político ao presidente Jair Bolsonaro.

Reportagem especial do Extra Classe trata da aliança entre governo Bolsonaro e radicais de direita.

Ataque às instituições

O que se sabe até o momento é que Sara e os outros cinco militantes bolsonaristas que são alvos da PF não estão sendo detidos pelos insultos proferidos contra o STF e, mais recentemente, contra o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha. As prisões tem por base ataques às instituições brasileiras.

Um vídeo que circulou no youtube e em correntes de whatsApp nesse sábado, 13, mostrou a sede do STF sendo alvejado por fogos de artifício e sob insultos como “acabou porra”. Foi a mesma frase que reproduziu o desabafo proferido pelo presidente da República na ocasião em que a PF realizou a operação de busca e apreensão que atingiu seus apoiadores.

O ataque ao STF aconteceu após a PM do Distrito Federal ter desmontado o acampamento dos 300 do Brasil por ocupação ilegal em uma área de segurança.

Fundo Eleitoral

Uma das críticas constantes dos militantes que apoiam o presidente Jair Bolsonaro é contra o Fundo Especial de Financiamento de Campanhas, o chamado Fundo Eleitoral. Esse mecanismo que serve para financiar a democracia também é motivo de dor de cabeça para a ativista Sara Winter.

Ela recebeu em 2018 R$ 25 mil do DEM para a sua campanha à deputada federal e apontou gastos de R$ 24,9 mil sem a devida prestação de contas no final do pleito, exigência da legislação. Sara somente apresentou a sua movimentação bancária sem comprovantes e notas fiscais de despesas que identificassem o seu uso para as eleições. Por isso, ela também está sob investigação da Justiça Eleitoral.

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