MOVIMENTO

MST doa 12 toneladas de arroz orgânico para o combate à fome

Alimento integra cestas básicas que serão entregues a famílias em situação de vulnerabilidade no Rio Grande do Sul, devido ao Covid-19 e a uma das maiores secas no estado
Por Redação / Publicado em 2 de abril de 2020
O arroz orgânico é produzido em 14 assentamentos da Reforma Agrária no Rio Grande do Sul

Foto: Leandro Molina

O arroz orgânico é produzido em 14 assentamentos da Reforma Agrária no Rio Grande do Sul

Foto: Leandro Molina

“Nesse momento tão difícil, de pandemia de coronavírus e de estiagem, todos precisam doar um pouco de si para que possamos passar por isso”, defende Emerson Giacomelli. Ele é coordenador do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

As entregas dos kits com arroz, feijão, farinha, massa, azeite e detergente começaram nesta quarta-feira, 1º,  na Lomba do Pinheiro e Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, e bairro Santa Isabel, em Viamão.

A ação integra a campanha organizada pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do RS (Consea) e Comitê Gaúcho de Emergência no Combate à Fome, formado por diversos setores que estão atuando para atender as famílias carentes, neste primeiro momento na capital e região Metropolitana.

“Muitos trabalhadores estão impossibilitados de exercerem suas atividades produtivas, em função da pandemia, o que leva à redução de renda e aquisição de alimentos”, observa Sidnei Santos, da direção estadual do MST/RS. “Portanto, essa doação expressa a solidariedade dos assentados, e isso significa repartir aquilo que temos”, pontua.

No Rio Grande do Sul a produção de arroz orgânico abrange 14 assentamentos da Reforma Agrária situados em 11 municípios. A região Metropolitana produz a maior parte do arroz livre de agrotóxico do MST. O Assentamento Filhos de Sepé tem a maior área plantada – 1.150 hectares – e 124 famílias envolvidas.

Aquisição de alimentos

Foto: Leandro Molina

Entrega das cestas básicas começou na Lomba do Pinheiro e Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, e bairro Santa Isabel, em Viamão

Foto: Leandro Molina

A participação do MST na campanha começou a ser definida no dia 25 de março, quando o deputado estadual Edegar Pretto (PT) intermediou com o Executivo um pedido para que o governo gaúcho adquira produtos dos assentamentos, para distribuir às famílias que estão passando fome diante da crise do coronavírus.

A proposta ao governo pede que o estado adquira os produtos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). De acordo com o deputado, há sinalização positiva do governo sobre o pedido.

A produção do arroz orgânico pelo movimento completa mais de 20 anos e hoje é o maior produtor da América Latina. Conforme Santos, a maioria dessas cooperativas já realizava entregas para escolas estaduais e municipais, por meio de programas de compras institucionais.

Ele ainda ressalta que a luta pelos direitos dos trabalhadores é válida e cada vez mais importante. E fala sobre a importância do povo defender o Sistema Único de Saúde (SUS), que na atual conjuntura não mede esforços para atender a população, mas que nos últimos anos vem sendo sucateado pelo governo federal.

O MST se coloca à disposição do governo e do povo gaúcho para ajudar no enfrentamento da crise, com uma iniciativa que vai beneficiar a população em vulnerabilidade social, e ao mesmo tempo ajudar as famílias vinculadas a cooperativas da agricultura familiar e da Reforma Agrária.

*Com informações do MST/Assessoria de Comunicação

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