SAÚDE

Medicamentos para transplantados continuam em falta no estado

O Ministério da Saúde garantiu a regularização da distribuição de imunossupressores para o início de junho, mas esta não é a realidade dos usuários gaúchos
Marcia Santos / Publicado em 5 de julho de 2019

Foto: Igor Sperotto

Jimi integra Los 3 Plantados, ao lado de Bebeto Alves e King Jim, também transplantados

Foto: Igor Sperotto

Nesta quinta-feira, 4, o músico e jornalista Jimi Joe, 64 anos e transplantado renal há seis, foi à Farmácia de Medicamentos Especiais do Estado e não obteve o tacrolimo de 1mg necessário para seu tratamento. “Uso 60 comprimidos por mês, duas vezes ao dia e não consegui nada”, ele conta.  Apenas o micofenolato, outro imunossupressor utilizado por ele, estava à disposição. Na farmácia estadual, foi orientado a voltar semana que vem para saber se já chegou o medicamento, que é de responsabilidade do Ministério da Saúde.

Desde o início do ano, os cerca de seis mil transplantados no Estado sofrem com a insegurança de não receber os imunossupressores necessários para garantir a não rejeição dos órgãos. “Nossas vidas dependem destes remédios”, observa o músico. Transplante não significa cura. É um tratamento crônico e, sem os medicamentos, o transplantado pode morrer. “Volto lá (na farmácia) segunda-feira, 8, com a esperança de conseguir, não dá para viver com esta espada na cabeça”, diz Jimi Joe.

Há meses o Ministério da Saúde vem encaminhando aos estados remédios, vacinas e insumos em menos quantidade que o usual. Como os estados são responsáveis pela distribuição aos municípios tão logo recebam, a estratégia adotada, em muitos casos, é que quem tem alguma coisa a mais forneça para quem está zerado, a fim de minimizar as consequências dos desabastecimentos.

Leia ainda A insegurança diária dos transplantados no Rio Grande do Sul, reportagem traz o drama dos transplantados no estado, que dependem das medicações fornecidas pela União para sobreviverem.

Procurado pelo jornal Extra Classe, o Ministério da Saúde não retornou sobre o assunto até a publicação desta matéria. No entanto, no início desta noite a assessoria de imprensa do Ministério informou, por e-mail, “que o abastecimento do tracolimo 1mg e 5mg está regular em todo o país. A pasta destinou para o estado do Rio Grande do Sul, 1.741.400 unidades de medicação para atender a demanda do segundo trimestre. Cabe ressaltar ainda que uma nova remessa de 1.754.000 comprimidos de tracolimo 1mg está prevista para atender o terceiro trimestre. O repasse deve ser feito na próxima semana conforme agendamento pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul.”

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