Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 032 | Ano 4 | Jun 1999
EXTRAPAUTA

Eu, eu, eu … não!

Durante a audiência pública do secretário de Comunicação do governo Guaracy Cunha, os deputados da oposição passaram mais de uma hora decidindo a escolha de um relator para acompanhar o depoimento do jornalista, acusado de beneficiar uma empresa da qual foi sócio com contratos suspeitos junto ao Palácio Piratini. O presidente da Comissão de Serviços Públicos, Jair Foscarini (PMDB), primeiro indicou seu colega Luis Augusto Lara (PTB) para relatar a conversa. Não foi atendido. Depois pediu ajuda ao enfático João Osório (PMDB) – justamente quem mais insistiu na escolha mesmo sabendo que ela não era prevista pelo regimento interno da casa. Não foi atendido. Chegou a vez então de Berfran Rosado, que mais uma vez deixou Foscarini na mão. Sem relator para relatar apenas um depoimento espontâneo, os parlamentares da oposição tiveram de ouvir Guaracy Cunha dizer que o contrato com a empresa da qual foi sócio – a Cooedição – foi selecionada regularmente por licitação e que proporciona economia mensal de R$ 22 mil ao estado. A Prisma Produções, contratada no governo passado, cobrava pelo serviço de clipping eletrônico R$ 50 mil por mês.

Nada de novo no front

Como se não bastassem os índices recordes de março, o desemprego em abril subiu mais pouquinho na grande Porto Alegre. Passou de 318 mil para 324 mil pessoas na região, o que significa a marca – absurda – de 19,2% da poppulação economicamente ativa. Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego feita pelo Dieese/FEE. Diferentemente de março, em abril a oferta de vagas cresceu. Principalmente no setor de manufaturados. Mas cresceu também, e em maior proporção, a procura por emprego. Resultado: apesar de um crescimento de 2,4% de oferta de vagas na indústria e dos 5 mil novos postos abertos no estado, não há boa notícia boa vinda do front do trabalho.

Novidades no front

Novidade no front Pode não ser grande coisa, mas o governo anunciará nos próximos dias a contratação emergencial de 2.900 professores para a rede estadual de ensino. Em tempo: não é concurso, é contratação temporária. Além de resolver a falta de professores em algumas cidades, pode ajudar a diminuir o drama de mais de 300 mil famílias no estado. Os contratos devem ir até o final do ano e , depois, pode-se até pensar – aí sim – em concurso para preenchimento definitivo de vagas.

Números, números

Não foi de R$ 110 milhões, mas de R$ 98 milhões a diferença entre o contrato original e a proposta final apresentada pelo governo estadual à Ford. Dos R$ 444 milhões que deveriam ser repassados como empréstimo de capital de giro, o estado se comprometia a manter R$ 346 milhões. A diferença, portanto, era de 22% da parcela reservada ao Tesouro e de menos de 10% do investimento total previsto no projeto Amazon. Em comparação com o lucro da companhia americana, a segunda maior empresa mundial (só perde para a GM, que se instalou em Gravataí), a estatística é ainda menor: menos de 0,1% do estonteante lucro de US$ 6,7 bilhões de 1998.

Os fatos…

Continua a novela dos diários estaduais – o da Assembléia e o Oficial. O deputado peemdebista Mário Bernd quer suspender judicialmente a publicação do Diário Oficial do estado – que noticia os atos do governo – por entender que ele vincula propaganda partidária. Desde o final de abril, o jornal publica uma sobrecapa de quatro páginas com informações sobre secretarias e empresas públicas que são, como se sabe desde outubro, administradas pelo PT. Tudo bem.

…E as fotos

Só que o parlamentar esqueceu-se de mencionar o outro Diário, o da Assembléia, cujo presidente vem a ser seu colega de bancada Paulo Odone. Na edição número 7.391, por exemplo, estavam lá estampadas sete fotos do ilustre deputado. Toda essa abundância num espaço inferior a três páginas da edição do dia 7 de maio passado. Caso de Justiça? Com a palavra, o deputado Paulo Pimenta (PT).

EC: Qual é a saída?
Pimenta: A regulamentação do que pode e não pode ser publicado.
EC: O Diário da Assembléia é isento?
Pimenta: Quando me deparei com a íntegra da carta da direção da Ford anunciando o afastamento da empresa do Rio Grande do Sul, não acreditei que se tratava do Diário do poder legislativo.
EC: O que diz a Constituição estadual sobre isso?
Pimenta: É clara: estabelecer a luta política por meio de veículos oficiais é inconstitucional.

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