Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 128 | Ano 13 | Out 2008
ESPECIAL | QUALIDADE DE VIDA
INFÂNCIA

O BEM-ESTAR desde cedo

O ponto de partida para uma análise dos problemas enfrentados pelas crianças de zero a seis anos, bem como sua qualidade de vida, podem ser revelados pelo Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI), do Unicef. O índice, elaborado desde 1999, tem como objetivo monitorar a situação da primeira infância nas regiões, estados e municípios brasileiros.

“O IDI pretende medir aspectos do desenvolvimento infantil, forma mais adequada de referir-se ao índice. A questão da qualidade de vida abrange também o desenvolvimento infantil e está certamente relacionada em algum nível ao IDI”, informa Lucio Fittipaldi Gonçalves, representante do Escritório do Unicef no Brasil.

De acordo com o Unicef, o principal desafio da infância hoje no Brasil é a mortalidade neonatal: 51% dos 80 mil mil bebês nascidos vivos que morrem antes de completar um ano, morrem nos primeiros seis dias de vida. Além disso, 56% das crianças de até seis anos vivem em famílias com renda per capita de até meio salário mínimo.

O acesso à creche é outra dificuldade divulgada recentemente por pesquisa do IBGE. Apenas 17% das crianças de até três anos estão em creches, e destas, 10% estão em situação de vulnerabilidade.

Para Vital Didonet, consultor da Organização Mundial para a Educação Pré-escolar (Omep), indicadores matemáticos como o IDI são muito importantes como referência para prefeitos e governadores, no entanto, ele lembra que números são frios, e o bem-estar infantil vai muito além.

No cálculo feito com dados de 2006, todos os estados brasileiros encontram-se com IDI acima de 0,500, um nível de desenvolvimento infantil considerado médio. Esse resultado é um avanço em comparação com edições passadas do IDI. Em 1999, sete estados tinham um desenvolvimento infantil baixo (IDI < 0,500). Em 2004, esse número foi reduzido para um estado.

(GRAZIELI GOTARDO)
O IDI é composto por quatro indicadores básicos:
· Crianças menores de seis anos morando com pais com escolaridade precária;
· Cobertura vacinal em crianças menores de um ano de idade;
· Gestantes com cobertura pré-natal adequada;
· Crianças matriculadas na pré-escola.
Almanaque da Criança

O Unicef vai lançar em 2009 um Almanaque, fruto da parceria com a Editora Globo e Ziraldo, que conta a história de uma criança desde a gestação da sua mãe até seus seis anos. O material aborda todos os direitos das gestantes e crianças pequenas, bem como os cuidados com a 1ª infância, de forma lúdica e divertida.

APOSENTADORIA
Tempo de REPENSAR

Algumas pessoas passam a vida pensando no dia em que vão se aposentar. Outras entram em pânico só de pensar em diminuir o ritmo de vida. De qualquer forma, o momento da aposentadoria, seja por idade ou tempo de serviço, chega para todos. Dados recentemente divulgados pelo IBGE mostram que a expectativa de vida dos gaúchos é de 75 anos, acima da média nacional de 71, o que torna o período pós-aposentadoria cada vez mais longo.

Dulce Magalhães, Ph.D em Filosofia pela Universidade de Columbia, educadora, pesquisadora e autora de livros, orienta que um momento como este deve ser planejado.

A pesquisadora indica quatro aspectos que devem ser observados com atenção nesta etapa pré-aposentadoria: saúde, para repensar hábitos de vida, alimentação e atividades físicas; família, para ver quais questões familiares estão em pauta. “Neste momento, muitas vezes os filhos já saíram de casa e o casal precisa reposicionar-se e reprogramar a família”, lembra Dulce.

Outro aspecto é o vocacional. Neste ponto é preciso fazer um balanço sobre o que se aprendeu na vida e descobrir elementos de prazer produtivo, que pode ser até uma nova atividade remunerada ou um curso que sempre quis fazer.

Uma última questão a ser repensada é a espiritualidade, vista aqui não como buscar uma crença ou religião, mas como questionamentos que podem ou não ter um sentido religioso:

Como estou em relação a minha vida? O que ela representa pra mim? Qual a minha missão?

Diante disso, ainda encontramos diferenças de comportamentos entre homens e mulheres. “Por uma questão cultural, de um modo geral a mulher é mais multitarefa e o homem é mais focado. Portanto, a mulher costuma sentir um nível de vazio maior”, explica Dulce. Com isso, ela tende a ampliar seu leque de amizades, contatos familiares e valorizar mais atividades coletivas.

A autora completa dizendo que toda a mudança é fruto de nossas escolhas, e aquelas que nos atropelam não foram planejadas com consciência e não trazem realização.

EVENTO – Dulce Magalhães estará em Porto Alegre a convite da Fundação Ceee, no dia 14 de outubro, com a palestra A arte de viver a mudança, em que vai falar sobre como se processam as escolhas na vida. (GG)

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