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Nº 187 | Ano 19 | Set 2014
WEISSHEIMER

Fator Marina ameaça futuro do PSDB

Por Marco Weissheimer

Fator Marina ameaça futuro do PSDB

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Imponderável de almeida atacou na eleição brasileira deste ano. A morte trágica de Eduardo Campos em um acidente de avião alterou radicalmente o cenário eleitoral para a presidência da Repú­blica. A entrada de Marina Silva como candidata do PSB à presidência introduziu novas e inespe­radas variáveis na conjuntura. Duas delas, em es­pecial, segundo a maioria dos analistas políticos: aumentou consideravelmente as chances de se­gundo turno e ameaça deslocar a candidatura do senador Aécio Neves para um terceiro lugar que seria desastroso para o PSDB em nível nacional e também em vários palanques regionais. Não é por outra razão que, após destacar o crescimento das chances de um segundo turno, dirigentes tu­canos começaram a se preocupar com o futuro de seu candidato na disputa presidencial.

As primeiras pesquisas eleitorais divulgadas após a configuração do novo cenário indicaram que o potencial de votos e de crescimento de Marina Silva é praticamente igual ao do sena­dor Aécio Neves entre os eleitores que avaliam o governo Dilma como ruim/péssimo, mas supera bastante o potencial do candidato tucano entre aqueles eleitores que avaliam o governo como regular. Nesse segmento, Marina parece ter mais votos e apresentar uma menor taxa de rejeição. Analisando os números da pesquisa Datafo­lha, divulgada dias depois da morte de Eduardo Campos e da inclusão do nome de Marina no cenário, o jornalista José Roberto de Toledo con­cluiu, em seu blog no portal do jornal O Estado de São Paulo: “Analisando-se os cruzamentos da pesquisa Datafolha, vê-se que Marina Silva (PSB) recu­perou seus eleitores históricos: os muito jovens (7 pontos acima de sua média), os com curso universitário (9 pontos acima), os de renda mais alta (8 pontos acima), os moradores das grandes e médias cidades (4 pontos), e os evangélicos (até 6 pontos acima da média). Do ponto de vista ge­ográfico, sua força maior continua sendo no Nor­te/Centro-Oeste e no Sudeste. Ela teve como sempre mais dificuldades no Sul e no Nordeste. Vai melhor nas metrópoles do que no interior. É o mesmo perfil de quem votou nela para presi­dente em 2010”.

A dúvida é se, quatro anos depois, a candida­tura Marina manterá o perfil de centro-esquerda que a caracterizou em 2010.

Sociólogo considera a candidata como sendo da nova direita
Na opinião do sociólogo Emir Sader, a res­posta é não. Para ele, o crescimento de Marina e o possível deslocamento de Aécio para um tercei­ro lugar fará dela a candidata da “nova direita e da restauração conservadora no Brasil”. Marina, sustenta Sader, apresenta todas as ambiguidades de fenômenos recentes: ONGs, reivindicação da sociedade civil contra o Estado, teses ecológicas nunca bem formuladas como estratégia. “Suas de­finições são ambíguas: Neca Setubal (da direção do Banco Itaú) coordenando seu programa de go­verno e nomes como Eduardo Gianetti da Fonseca e Andre Lara Rezende coordenando a formulação econômica desse programa. Uma das principais expressões dessa conversão seria a defesa da tese do Banco Central independente.

O fator Marina pode provocar importantes deslocamentos regionais também. A candida­tura de Aécio Neves, até então muito disputada por candidaturas de oposição ao PT nos estados, pode se tornar um peso morto, caso se confirme a ascensão da candidata do PSB. No Rio Gran­de do Sul, por exemplo, a candidata Ana Amélia Lemos (PP) apostou forte na relação com Aécio Neves. O senador mineiro foi figura destacada no lançamento da candidatura da senadora no ginásio Gigantinho. As denúncias envolvendo o aeroporto construído em uma fazenda de um parente de Aé­cio já tinham causado preocupação entre aliados regionais. O surgimento da candidatura de Marina Silva só agravaram esse estado de ânimo.

Mais ainda, Aécio Neves corre o risco de per­der a eleição em seu próprio estado. No final de agosto, o sinal vermelho soou com força na dire­ção do PSDB. A ameaça representada por Marina, somada pelas disputas internas históricas entre o grupo paulista e o grupo mineiro no partido po­dem levar a um resultado eleitoral desastroso em outubro. Em função disso, a intenção inicial de não “bater” em Marina na campanha pode ser revisa­da. Entre as fileiras do PSDB, há quem ache que a própria sobrevivência do partido está em jogo. Ficar fora do segundo turno na eleição presiden­cial seria a gota capaz de fazer transbordar o copo tucano.

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