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Nº 201 | Ano 21 | Mar 2016
INTERVALO

Uma contadora de histórias

Por Grazieli Gotardo
Leila Pereira é autora, contadora de histórias e professora do Colégio Rainha do Brasil, em Porto Alegre

Foto: Igor Sperotto

Leila Pereira é autora, contadora de histórias e professora do Colégio Rainha do Brasil, em Porto Alegre

Foto: Igor Sperotto

Professora, escritora, atriz e contadora de histórias. Leila Pereira é tudo isso e utiliza es­ses conhecimentos para exercer sua paixão: ensinar, em especial crianças da educação infantil. Mas nem sempre foi assim, apesar da formação em Letras, com habilitação em inglês e francês, seu primeiro emprego após a faculdade foi como assessora da gerência em um grande banco, algo bem burocrático e que ela logo percebeu que não fazia seu coração vibrar.

Foi então que de forma pioneira, na dé­cada de 1990, começou a dar aulas de francês para crianças em uma escola privada de educação infan­til. “Quando pisei a primei­ra vez em uma sala de aula eu disse, é isso que quero para mim”, relata. Aos pou­cos foi desenvolvendo uma metodologia própria, intui­tiva e lúdica, como gosta de dizer, com material con­feccionado por ela mesma, com a ajuda da mãe, viva na época. Fez pós-graduação em educação infantil e anos iniciais e assumiu sua identi­dade como educadora.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Naturalmente começou a inserir histórias nas suas aulas de línguas e percebeu que as crianças gostavam muito. “Um dia não contei histórias e elas começaram a pedir e pergun­tar”, lembra. Nascia assim uma contadora de histórias. Hoje, com 20 de anos de experiên­cia, Leila já fez inúmeros cursos e introduziu música, teatro e literatura no seu trabalho. “Contar histórias para mim é como mágica, é um encantamento que passamos para as pessoas que estão ouvindo”, afirma. E como ela diz “história não tem idade”, pois já obser­vou a presença de muitos adultos em suas ofi­cinas, apesar do foco infantil de seu trabalho.

Mas ainda havia um sonho guardado, escrever e publicar um livro. Leila frequen­tou todas as oficinas de literatura da Feira do Livro de Porto Alegre, com diversos auto­res. Em uma delas teve um texto seu elogia­do por Carlos Urbin, o que lhe marcou muito e deu se­gurança para escrever seu primeiro livro, A casa dos brinquedos trocados, de 2009. Desde então foram seis obras publicadas, to­das com temática infantil.

Seu livro mais recente se chama Famílias de A a Z (Dimensão, 2015) e abor­da de forma natural e rica­mente ilustrada as diferen­tes formações familiares. A partir de sua vivência em sala de aula, a autora explora temas como diferença de gê­nero, adoção, deficiências e culturas diver­sas. A mensagem essencial do livro, no en­tanto, é uma só, criança precisa de amor. Por isso, ela dedica a obra “a todas as crianças às quais foi ou é vetado o direito de serem amadas”. Atualmente, Leila ministra oficinas de teatro e contação de histórias no Colégio Rainha do Brasil, em Porto Alegre.

 

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