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10/11/2017
MOVIMENTO

Ato contra reforma reúne milhares de trabalhadores

Mais de 10 mil pessoas marcharam da sede do Tribunal Regional do Trabalho até a Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre, para protestar contra a reforma trabalhista
Por Flávio Ilha

Ato unitário contra reforma reúne milhares de trabalhadores em Porto Alegre

Foto: Igor Sperotto

Foto: Igor Sperotto

Há quase oito meses que Porto Alegre não presenciava um ato unitário de protesto reunindo todas as centrais sindicais. Nesta sexta-feira, 10 de novembro, mais de 10 mil pessoas empunhando bandeiras de sindicatos marcharam da sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) até a Esquina Democrática, no centro da cidade, para protestar contra a reforma trabalhista aprovada pelo Congresso, que entra em vigor neste sábado, 11. A marcha quase não teve bandeiras de partidos políticos.

O resumo mais perfeito do ato foi dado pelo presidente da Central das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Guiomar Vidor. “A partir de agora, vamos estabelecer uma guerrilha jurídica contra essa reforma. Vamos enfrenta-la no cotidiano dos trabalhadores, vamos ingressar com ações judiciais a tal ponto de criar uma instabilidade jurídica dez vezes maior do que agora”, disse o sindicalista.

O ato desta sexta-feira reuniu as maiores centrais sindicais com representação no Estado, como CUT, CTB, Força Sindical, Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), CSP Conlutas, Intersindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), além de entidades classistas como Sindicatos dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Cpers/Sindicato, Adufrgs, Sindibancários, entre outras, e estudantis, como União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e União da Juventude Socialista. Desde a greve geral de 28 de abril que as centrais não se uniam em torno de uma causa comum.

Ato unitário contra reforma reúne milhares de trabalhadores em Porto Alegre

Foto: Igor Sperotto

Foto: Igor Sperotto

O presidente da CUT, Claudir Nespolo, saudou a unidade e disse que a união das centrais é a única forma de barrar a reforma trabalhista na prática. “Não somos apenas nós. A sociedade está contra a reforma, os magistrados do trabalho estão contra a reforma, mas mesmo assim o Congresso aprovou um conjunto de leis inconstitucional que precisa se derrotado na prática cotidiana”, afirmou.

O ato iniciou por volta de 16h com um abraço simbólico ao prédio do TRT. Durante a manifestação, que reuniu milhares de pessoas, os desembargadores engrossaram as críticas à reforma e se integraram ao protesto. Participaram do abraço simbólico a presidente do TRT, desembargadora Beatriz Rencke, e o presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho (Amatra) no Rio Grande do Sul, Rodrigo Trindade de Souza.

Depois da caminhada, os manifestantes se concentraram na Esquina Democrática. O coordenador da CSP Conlutas, Erico Correa, defendeu a preparação de uma nova greve geral para derrotar a reforma trabalhista, enquanto o representantes da Intersindical, Jerônimo Menezes, disse que junto aos direitos trabalhistas as reformas liberais do governo de Michel Temer (PMDB) estão “solapando as riquezas” do país.

Poucos políticos prestigiaram o ato, entre eles os deputados federais Henrique Fontana e Paulo Pimenta (ambos do PT) e Assis Melo (PC do B). Também estava presente o ex-ministro Miguel Rossetto e os ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont, ambos do PT.

O ato terminou sem incidentes.

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