Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 125 | Ano 13 | Jul 2008
ECONOMIA

José Antônio Alonso

Nas últimas décadas, o cenário internacional tem sido palco de crises que vão desde os conflitos bélicos até os problemas de ordem econômica. No campo da ordem econômica nada preocupa mais do que a elevação consistente da inflação internacional, puxada pelos preços de commodities minerais tendo, à frente, o petróleo, e agrícolas, caso de grãos estratégicos como a soja e o milho. Na verdade, a subida dos preços difunde-se por toda a cadeia de produtos alimentares. Todo este conjunto de produção e formação de preços opera de forma articulada tendo como centro de tudo a escassez energética e o aumento substantivo do consumo de alimentos no mundo. Com efeito, há um tenso debate internacional sobre o uso das terras para produzir alimentos ou energia renovável (etanol), esta última como alternativa ao petróleo. Queremos discutir quais são as possibilidades de uma inserção favorável da economia gaúcha neste contexto.

O Rio Grande do Sul tem uma longa e bem-sucedida história de produção alimentar. Sempre ocupou lugar de destaque não só no Brasil, mas também no competitivo mercado internacional. Há amplas possibilidades para as carnes bovinas, suínas e de aves, desde que seja dada atenção especial às exigências sanitárias, utilizadas, muitas vezes, como barreiras protecionistas por países e blocos econômicos. Produtores e governo devem exercer vigilância rigorosa sobre esses aspectos da produção. Ainda no âmbito da produção animal, amplia-se o espaço para a exportação de leite e sua ampla gama de derivados.

O estado tem, igualmente, expertise na produção de grãos, em especial, em arroz, em soja, em trigo e em milho, este último, é parte da cadeia produtora de suínos e aves. No caso da soja, desenham-se amplas possibilidades de expansão da demanda externa, não só com finalidade alimentar, como também energética. No caso do trigo, espera-se uma elevação dos preços internacionais, o que tende a viabilizar a substituição de importações deste cereal.

Todavia, o aproveitamento dessas oportunidades de expansão da renda e do emprego depende de cuidados especiais com os gargalos existentes na infra-estrutura de transportes, armazenagem e portos, bem como com as dificuldades impostas pela excessiva burocratização das operações de comércio internacional. Além disso, nossos produtores devem estar convencidos de que necessitam buscar, obsessivamente, a melhoria da qualidade da produção, como elemento-
chave para a manutenção desses mercados por longo tempo.

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