Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 128 | Ano 13 | Out 2008
ESPECIAL | QUALIDADE DE VIDA
ESPECIAL

Uma pesquisa na busca de números que reflitam como as pessoas estão vivendo nos remete aos chamados índices de desenvolvimento humano. Esses dados levam em consideração indicadores econômicos e sociais que impactam na maneira de viver de cada um como acesso à Educação, Saúde e Trabalho. Eles são importantes pois têm como objetivo expor e chamar a atenção para as práticas e políticas governamentais.

Apresentamos três índices dos mais utilizados: IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), feito pela Organização das Nações Unidas (ONU); IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal), feito pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e o Idese (Índice de Desenvolvimento Socioeconômico), da Fundação de Economia e Estatística – FEE – do Rio Grande do Sul.

Os itens avaliados por eles e níveis de desenvolvimento que apontam. Todos utilizam uma escala que varia de 0,0 a 1,0, quanto mais baixo o índice, piores são as condições de vida.

IDH
(Índice de Desenvolvimento Humano)

Publicado desde 1991 e utilizado como referência pela Organização das Nações Unidas (ONU), o IDH tem como objetivo ir além de dados econômicos. Além do PIB, são levados em conta longevidade e Educação.

Segundo Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 da ONU para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em novembro de 2007, o Brasil entrou pela primeira vez para o grupo de países com elevado desenvolvimento humano, com um índice de 0,800 no ano de 2005. Mesmo com uma evolução de 0,008 no índice ante os 0,792 de 2004, o país perdeu uma posição.

“É preciso ter em mente que o IDH dos países é calculado com níveis de referência mundiais. O que, no caso do Brasil, fica prejudicado, pois o país possui longevidade e nível de Educação maiores. Mesmo assim, qualquer elevação do índice é bem-vinda pois é o que temos de mais fiel e aproximado para medirmos bem-estar”, afirma Renato Baumann, diretor do Escritório da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) no Brasil.

O IDH por unidades da Federação foi divulgado no último dia 8 de setembro, junto ao relatório de Emprego da ONU, e revelou que os 11 melhores IDHs são de estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste – com destaque para o Distrito Federal, na primeira colocação. Já os piores são os nove estados nordestinos.

De um modo geral, entre 1991 e 2005, o IDH de todas as unidades da Federação melhorou. O Sul, que mantém os seus três estados entre os seis primeiros IDHs desde a década passada, foi o que menos evoluiu no indicador. O Rio Grande do Sul figura na 5ª posição, com índice de 0,832.

IFDM
(Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal)
O IFDM foi criado em 2006 pelo Sistema Firjan para atender o estado do Rio de Janeiro, analisando o desenvolvimento municipal sob a ótica do mercado de Trabalho, Educação fundamental e Saúde.

“O pioneirismo do IFDM está em seu enfoque municipal com periodicidade anual – sem paralelo em nenhum outro índice existente. Com abrangência nacional, o IFDM supre uma vital lacuna no acompanhamento do desenvolvimento nacional”, afirma Patrick Carvalho, chefe da Divisão de Estudos Econômicos do Sistema Firjan. O IDH-M, índice da ONU para os municípios, baseia-se em dados do censo demográfico, realizado apenas a cada dez anos.

Lançado pela primeira vez em agosto deste ano, os números do IFDM são baseados em dados de 2005, mas para efeito de comparação também foi calculado o índice para 2000.

A média brasileira foi de 0,7129, superior ao resultado de 0,5954 em 2000. De um modo geral, na primeira metade dessa década 87,9% dos municípios brasileiros constataram melhora efetiva, segundo o índice.

De acordo com Carvalho, não é possível fazer uma comparação direta do IFDM com o IDH. Diferenças como a utilização do PIB, pelo IDH, e estatísticas oficiais de renda e trabalho formal pelo IFDM, geram resultados diferentes, como observado na tabela. A explicação é que o IFDM é mais adequado à realidade municipal brasileira e o IDH foi criado para países.

No ranking estadual, o Rio Grande do Sul figura na 8ª posição, com IFDM de 0,7329 (moderado). Observa-se uma queda em relação ao ano de 2000, quando estava na 5ª posição.

“Primeiramente, devemos ter em mente o desenvolvimento absoluto e incontestável do RS. No entanto, o crescimento mais dinâmico de outros estados da Federação é capaz de explicar a queda relativa no ranking entre unidades da Federação”, explica Carvalho.

Os resultados do IFDM 2005 revelam ainda a força do interior e das cidades pequenas entre as melhores colocadas. Apenas duas capitais – Curitiba (PR) e Vitória (ES) – aparecem no ranking das cem primeiras posições gerais. Entre os municípios mais bem colocados do RS, Marau está em 35º, com IFDM de 0,8725 e Lajeado, na 67º posição com IFDM de 0,8529. Porto Alegre aparece em 251º e na 11º posição no ranking de capitais, com IFDM de 0,7949.

Idese
(Índice de Desenvolvimento Socioeconômico)

Lançado do ultimo dia 18 de setembro, o Índice de Desenvolvimento Socioeconômico – Idese, da Fundação de Economia e Estatística do RS – FEE/RS é um índice sintético, inspirado no IDH, classificado em quatro blocos temáticos: Educação; Renda; Saneamento e Domicílios e Saúde. A inclusão do Saneamento no Idese é explicada por ser um dos pontos fracos do RS, precisando de melhorias.

Em 2005, o estado obteve um Idese de 0,761, mantendo-se estável em relação ao ano anterior. O desempenho foi sustentado pela Saúde, não sendo mais elevado devido às quedas dos índices de Renda e Educação.

“A queda no índice renda do Idese 2005 é motivada pela estiagem de 2005, e a Educação caiu devido a uma involução na taxa de atendimento no Ensino Médio, ou seja, menos pessoas estavam freqüentando o Ensino Médio. O que manteve o Idese estável em relação ao ano anterior foi o bloco Saúde, que avalia expectativa de vida, peso ao nascer a taxa de mortalidade para menores de cinco anos”, explica Rafael Bernardini Santos, Estatístico da FEE/RS.

No contexto dos municípios gaúchos, Caxias do Sul permanece, pelo sexto ano consecutivo, o de mais alto Idese. Porto Alegre ficou em segundo com o maior índice de sua série histórica: 0,829.

Nos 496 municípios, 195 (39%) apresentaram variações positivas, ao passo que 301(61%) obtiveram variações negativas. A conclusão da FEE/RS é de que o Idese é geralmente maior em municípios populosos, urbanizados, com mais mulheres do que homens e com mais pessoas com idade entre 20 e 49 anos. Em economia, o Idese é maior onde o PIB é elevado.
(GRAZIELI GOTARDO)

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