Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 135 | Ano 14 | Jul 2009
PALAVRA DE PROFESSOR

Por Profª. Esp. Marlúbia Corrêa de Paula

Muitas vezes comentamos que nossos jovens não reconhecem seus limites. Principalmente quando nos reportamos às salas de aula, esta fala é uma constante. Vivemos num momento dinâmico onde a Internet faz parte de todos os ambientes e faz com que a Educação repense sua dinamicidade. Como conseguir adequar à sala de aula, na forma tradicional como muitas vezes se apresenta de forma a fazê-la encantadora e ainda assim construir as noções de respeito e cordialidade, que sem dúvida alguma deveriam vir prontas de casa, da família. Não raras às vezes presenciamos pais com dificuldades sérias de conter seus filhos, mesmo na tenra idade em que chegam aos maternais. Muitas vezes, o pai acaba por fazer aquilo que o filho deseja, evitando assim constrangimentos momentâneos, porém quando assim agimos, é apenas uma questão de retardar os problemas, pois a criança adquire a confiança de que tudo pode. E convenhamos, na vida adulta, nós vivemos cercados de normas, para que possamos algumas coisas e outras não, entendendo que eu posso agir até onde passa a existir o direito do outro; assim todos nós precisamos estar acordados de quais normas regerão saudavelmente nosso viver. Não podemos deixar que alguns acontecimentos, marcados por atitudes de desrespeito tomem conta, por exemplo, de uma sala de aula atual, porque alguém não recebeu a devida noção de limite, na hora e no local adequados. Fica o questionamento: como um professor pode fazer para conseguir ter sucesso nesta resignificação, ou muitas vezes nesta construção até mesmo inicial?

Na nossa profissão, conforme lembra a colega, Professora Joselma, no espaço Palavra de Professor do EC estamos sujeitos a avaliações, por contextos que muitas vezes vão além do necessário. Muitas vezes as falas exploradas que ganham importância não são aquelas dos agentes interessados em promover uma educação de qualidade. Muitas vezes, nós, professores, construímos com nossos alunos uma caminhada, onde são estabelecidas as noções de uma convivência produtiva. Devemos urgentemente restabelecer o crédito tão necessário à Atividade Docente, para que um professor em seu atuar possa sentir-se confiante devidamente amparado por sua instituição. Nós, professores de hoje, somos frutos de uma escola que também apresentava suas dificuldades, mas, no entanto, conseguiu transmitir seu encanto para que déssemos continuidade às atividades lá desenvolvidas. Lembro bem de minhas aulas, tanto no Ensino Fundamental, lá na querida Escola Fundamental Cipriano Porto Alegre (Rio Grande), e após na Escola Estadual Marechal Emílio Luiz Mallet (Rio Grande), onde nos reuníamos na semana da Pátria, para que o hino fosse cantado, pois nós sabíamos, éramos ensinados para que nesta data reverenciássemos nossa bandeira. Nós construíamos canteiros em torno da escola, possuíamos uma horta. Quantas construções saudáveis no ambiente escolar nós realizamos, enquanto alunos. Mais tarde, já no Ensino Médio, aprendi a gostar ainda mais da Matemática, quando o professor Hugo, no Colégio Estadual Lemos Júnior, fazia suas demonstrações através apenas de quadro e giz, evidenciando seu conhecimento e gosto pela disciplina, a professora Dagmar, também de Matemática, sempre bem animada, com quem aprendi minhas noções de trigonometria, completando depois com a Mariza, uma professora e tanto. Havia ainda os queridos professores João e Maria Inês, de Biologia, a querida professora Enolena, de Português, e na quinta série a professora Dilma, que ensinou as conjugações verbais. Já se vão tantos anos e ainda recordo de muitas das aulas, afinal estes professores deixaram marcados seu gosto por aquilo que faziam. Seus saberes demonstrados a cada aula, de certa forma me conduziram por esta estrada e agora aqui estou eu, muita agradecida a tantos professores competentes que passaram por meu caminho. O que tenho na memória são estes fatos: excelentes aulas realizadas por excelentes professores. Para mim, a docência é isto, uma troca onde recolhemos o que de bom nossos professores compartilham ao ensinar. Gostaria de começar aqui uma caminhada onde possamos dar ênfase aos bons professores, à boa escola e aos bons alunos, porque, com certeza, teremos muito que mostrar. Referenciemos o que está funcionando bem e observemos estes exemplos para que com eles possamos aprender.

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